O presidente paraguaio, Fernando Lugo, encaminhou ontem ao Congresso um pedido para que o estado de emergência, que vigora em Amambay e outros quatro departamentos (Estados) do país, se prolongue por mais 30 dias. Lugo alegou que 30 dias é pouco tempo para que as forças de segurança combatam o crime organizado e a guerrilha Exército do Povo do Paraguai (EPP), acusada de praticar sequestros para o fim de extorsão. Inicialmente, Lugo havia pedido à Câmara e ao Senado que o estado de emergência vigorasse por 60 dias, mas os congressistas reduziram o prazo pela metade.

Amambay é o departamento onde ocorreu o atentado de segunda-feira, quando um grupo armado crivou o carro do senador paraguaio Robert Acevedo com 60 disparos de fuzil, matando seus dois guarda-costas e ferindo o parlamentar no braço e na cabeça. O departamento é considerado um dos principais pontos de cultivo de maconha e entreposto para a cocaína que entra no Brasil vinda da Bolívia. A Justiça paraguaia vincula grupos do crime organizado com o EPP que, por seu lado, teria ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Ontem, mais de 500 manifestantes saíram às ruas de Pedro Juan Caballero, cidade capital de Amambay, para protestar contra a presença de grupos armados organizados na região. As manifestações aumentaram o clima de tensão e coincidiram com a visita de Lugo à cidade. A chegada do presidente foi acompanhada de amplo reforço nos contingentes de policiais e soldados do Exército.