O presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, anunciou nesta terça-feira (22) que na primeira semana de seu governo, que começa em 15 de agosto, iniciará gestões para negociar com a Argentina e o Brasil mudanças nas centrais hidrelétricas binacionais.

O Paraguai quer um preço "justo" pela energia cedida aos dois países da parte que lhe corresponde na produção das centrais de Itaipu (com o Brasil) e Yacyretá (com Argentina), disse Lugo em uma entrevista coletiva, acrescentando que deve ser o preço de mercado, e não o que é praticado hoje.

Em relação à recente declaração do presidente Lula, de que o Tratado de Itaipu não pode ser modificado, Lugo disse que se não houver vontade de ambas as partes, podem ser seguidos outros caminhos.

Mencionou, por exemplo, a existência de uma ata assinada em 1966 em Foz do Iguaçu pelos chanceleres dos dois países, onde consta, antes da construção da represa, que "a energia terá um preço justo".

"Consideramos que é um tratado injusto", disse, reiterando que "o preço pela energia que o Paraguai dá à Argentina e ao Brasil tem que ser justo".

A decisão de negociar é válida tanto para o Brasil como para a Argentina, porque seu governo, segundo ele, apoiará relações bilaterais "justas, equânimes, dentro de um marco de racionalidade", com base em conversas e debates técnicos.

Ele disse ainda estar seguro de que isso não afetará negativamente as relações com os dois países vizinhos, e afirmou que a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, telefonou a ele para felicitá-lo e reafirmar sua predisposição a continuar conversando sobre todos os temas bilaterais, incluindo Yacyretá.