Londres – Um macabro livro encapado com pele humana, datado do início do século XV, foi arrematado em leilão em Doncaster, no norte da Inglaterra, por 5,4 mil libras esterlinas (cerca de 20 mil reais). A pele pertenceria ao padre Henry Garnet, um sacerdote jesuíta decapitado por ter participado da "conspiração da pólvora", um plano tramado pelo católico Guy Fawkes, que em 5 de novembro de 1605 havia tentado explodir o parlamento inglês e assassinar o rei protestante James I.

O que torna o volume – datado de 1606 e intitulado "Um verdadeiro e perfeito relatório do processo contra o falecido bárbaro traidor, Garnet, um jesuíta, e seus cúmplices" – ainda mais sinistro é o fato de que sobre a capa parece estar visível o rosto de um homem, o rosto, diz-se, do próprio Garnet.

Sid Wilkinson, responsável pela casa de leilões onde se realizou ontem a venda, afirmou que a prática de encadernar livros em pele humana era bastante comum até o século XIX, e sobre a imagem na capa, comentou: "Diz-se que parece muito com Henry Garnet, que ao que parece tinha olhos muito grandes. E é um pouco assustador. A imagem não parece ter sido produzida e poderia tratar-se de um enrugamento casual devido ao tempo".

Embora tenha sustentado a própria inocência, Garnet conhecia alguns dos conspiradores e sabia de seu plano através de um outro padre, que tinha lhe relatado durante uma confissão. Foi sua determinação em manter o segredo de concessionário que lhe custou a vida: o jesuíta foi decapitado em maio de 1606 e desde então seu rosto parece revelar-se por toda parte. Segundo o relato de Wilkinson à BBC, de fato as lendas narram que a imagem do jesuíta teria aparecido em diversos lugares, entre eles na palha recolhida do cesto onde a cabeça do homem fora colocada após a execução.