Tanto a chanceler Tzipi Livni quanto o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declararam-se vencedores das acirradas eleições israelenses, armando o cenário para um disputa de poder com potencial para se estender por bastante tempo. O governista Kadima (centro), de Livni, confirmou as pesquisas que apontavam a recuperação do partido e obteve 28 das 120 cadeiras do Parlamento. Em segundo lugar, com 27 assentos, terminou o Likud (direita), de Netanyahu, que chegou a liderar as sondagens com folga, mas perdeu terreno nos dias que antecederam a votação.

No entanto, os partidos mais à direita no espectro político israelense obtiveram ganhos consideráveis no pleito de terça, o que sugere uma maior probabilidade de que o linha-dura Netanyahu consiga formar um governo antes de Livni. O Israel Beitenu, de extrema direita, obteve um inédito terceiro lugar, com 15 cadeiras. Já o Partido Trabalhista, do ministro da Defesa Ehud Barak, ficou em quarto lugar, com 13, pior desempenho da história desta agremiação de centro-esquerda. O partido religioso ultraortodoxo Shas ficou em quinto, com 11 cadeiras, confirmando o avanço da direita nas urnas.

“Hoje o povo escolheu o Kadima”, anunciou Livni a seus correligionários em Tel-Aviv, onde prometeu que será a segunda mulher a tornar-se primeira-ministra de Israel e convidou Netanyahu a aderir a um governo de unidade nacional sob a liderança dela. “Israel não pertence à direita da mesma forma que a paz não pertence à esquerda”, prosseguiu a chanceler. Apesar de os partidários do Kadima terem festejado bastante as pesquisas de boca-de-urna que mostravam o partido à frente do Likud, não existe certeza de que Livni será incumbida de formar o governo e o resultado apertado indica que Israel atravessará ainda muitas semanas de incerteza política.

Netanyahu, de 59 anos, também manifestou-se confiante de que será o próximo chefe de governo depois de o Likud, que sofreu uma devastadora derrota nas urnas em 2006, ter mais do que dobrado sua bancada no Parlamento. “O campo nacional liderado pelo Likud obteve uma maioria clara”, afirmou Netanyahu a correligionários na sede do partido em Tel-Aviv. “Tenho certeza de que conseguiremos formar o próximo governo”, afirmou ele. “Eu posso unir todas as forças deste país e liderar Israel.”

Pelo sistema político israelense, o partido de maior bancada não é necessariamente o incumbido de formar um novo governo. Antes da votação, a maioria dos analistas políticos locais considerava que Netanyahu, mesmo terminando em segundo lugar, seria quem teria mais condições de formar uma coalizão com o número mínimo de 61 deputados. As informações são da Dow Jones.