O presidente do Sudão, Omar al-Bashir – primeiro governante em exercício a ser sentenciado por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) -, deve viajar no dia 26 para a Venezuela, a convite do presidente Hugo Chávez. Ele participará da cúpula entre países sul-americanos e africanos da qual também estará presente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O convite foi entregue à chancelaria sudanesa no dia 2, mas só foi revelado ontem pela agência de notícias do governo de Cartum, Suna.

Como o Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão contra o presidente sudanês por crimes de guerra cometidos na região sudanesa de Darfur, qualquer país que seja membro do tribunal teria a obrigação de entregar Al-Bashir à corte, caso ele pise em seu território. O líder sudanês foi considerado culpado por incitar uma guerra civil que deixou mais de 300 mil mortos, no que é considerado pelo governo norte-americano como o primeiro genocídio do século 21.

A estratégia do Sudão é mostrar ao tribunal que Al-Bashir tem apoio político internacional. Desde que foi sentenciado, o líder sudanês já fez dez viagens ao exterior, para mostrar que não está preso a seu país. Mas esta viagem à América do Sul será a mais importante para a mensagem política que Al-Bashir quer enviar à Justiça. Esta será a primeira vez que ele viajará para um destino fora do continente africano e fora do eixo dos países árabes.