O líder rebelde do Congo, o general tutsi Laurent Nkunda, disse em entrevista à Associated Press nesta semana que continuará combatendo pela liberdade de seu povo no país. Os rebeldes vêm combatendo soldados congoleses em um conflito que muitos temem que irá se espalhar. “Vamos continuar combatendo e vamos lutar até (chegar na capital) Kinshasa”, prometeu.

O conflito no leste do Congo é alimentado por aversões étnicas resultantes do massacre em 1994 de meio milhão de tutsis em Ruanda e das guerras civis no Congo de 1996 a 2002. Ontem, houve novos confrontos entre o exército e os rebeldes perto de Kibati, onde 45.000 pessoas estão refugiadas. Nkunda convocou um cessar-fogo unilateral na semana passada, quando suas forças chegaram aos subúrbios de Goma, mas a trégua acabou.

Na entrevista concedida na quinta-feira, o homem culpado por uma ofensiva de 10 semanas que forçou 250.000 pessoas a saírem de suas casas, enquanto seus homens tomavam grandes regiões do leste do Congo, disse que preferia estar ensinando do que militando. “Há um problema aqui. Todos estão por si. Temos que aprender a querer servir nosso país. Falta esse amor por nosso país”, afirmou o líder. Questionado sobre como conciliar isso com o sofrimento que sua mais recente ofensiva levou a dezenas de milhares de refugiados, ele respondeu que é “preciso sofrer para ser livre. Esse é o preço da liberdade”.

Durante sua rebelião, Nkunda tem sido acusado de crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Ao conceder a entrevista para a Associated Press, o líder rejeitou as alegações. “A Corte Internacional conduziu investigações e nunca encontrou provas contra Laurent Nkunda. É normal o governo do Congo acusar seus oponentes”, afirmou.