O xeque Hassan Nasrallah, líder do grupo guerrilheiro pró-iraniano Hezbollah, afirmou em entrevista que um relatório israelense sobre a guerra travada entre julho e agosto de 2006 entre a guerrilha e o Exército do Estado judeu faz justiça à organização rebelde e prova que Israel já vinha planejando o conflito com antecedência. Numa entrevista levada ao ar no fim da noite de ontem, Nasrallah comentou, entre outros assuntos, as conclusões da Comissão Winograd, criada por Israel para investigar o conflito.
Os integrantes da comissão admitiram que Israel não venceu a guerra e não conseguiu responder com eficácia aos disparos de foguetes efetuados pelos guerrilheiros. "Mas o que faz justiça a nós é a parte que diz que a guerra fora planejada com antecedência. Ela já estava preparada", enfatizou. O xeque buscou aplacar as críticas de oponentes políticos internos que acusaram a guerrilha de ter iniciado a guerra ao desencadear um ataque no qual três soldados israelenses morreram e dois foram capturados.
O relatório de 629 páginas foi divulgado em 30 de janeiro por um painel liderado pelo juiz aposentado Eliyahu Winograd. O documento critica tanto o governo quanto o Exército de Israel por "sérias falhas e lapsos", mas não acusa o primeiro-ministro Ehud Olmert pessoalmente pelo inesperado fracasso militar que animou os inimigos do Estado judeu. Israel deflagrou a campanha militar contra o Hezbollah em julho de 2006. A guerra estendeu-se por 34 dias e, segundo números oficiais, provocou a morte de entre 1.035 e 1.191 libaneses, civis em sua maioria, e de 159 israelenses, militares na maioria.


