O líder da Líbia, Muamar Kadafi, disse numa entrevista transmitida hoje pela TV que os líbios lutarão se as nações ocidentais impuserem uma zona de exclusão aérea. Segundo Kadafi, a imposição das restrições comprovará que a real intenção do Ocidente é a de apoderar-se dos ricos recursos de petróleo do país. “Se isso acontecer, os líbios vão pegar armas e lutar”, disse.

A zona de exclusão aérea seria usada para evitar que o regime de Kadafi utilize a força aérea para bombardear os adversários do governo. As forças leais ao líder líbio têm lutado contra os rebeldes no leste do país e em várias cidades próximas à capital Trípoli, onde Kadafi tem total controle. As declarações do ditador líbio na entrevista foram uma resposta aos planos de ação dos Estados Unidos e do Reino Unido contra seu regime.

O ditador líbio fez os comentários em uma entrevista levada ao ar hoje pela rede de televisão estatal turca TRT. A entrevista foi realizada à noite (horário local), quando Kadafi fez uma aparição surpresa em um hotel, em Trípoli, onde jornalistas estrangeiros estão se hospedando e deu algumas entrevistas.

Na entrevista ao canal de TV turco TRT, Kadafi disse que não há razões legítimas para uma intervenção estrangeira em seu país, insistindo que a Líbia estava apenas lutando contra a Al-Qaeda no Afeganistão ou no Paquistão. “Se a Al-Qaeda tomar a Líbia, isso será uma enorme catástrofe”, disse Kadafi. “Se eles (os combatentes da Al-Qaeda) controlarem este lugar, toda a região, incluindo Israel, será arrastada para o caos. Então, Bin Laden pode se apoderar de todo o norte da África.”

Em comentários separados, o ditador pediu aos líbios do leste do país, que foi tomado pelas forças rebeldes, a retomarem o controle da região. A televisão estatal da Líbia também mostrou Kadafi falando com um grupo de jovens da cidade de Zintan, localizada a 120 quilômetros a sudoeste de Trípoli. Kadafi culpou novamente os militantes da Al-Qaeda do Egito, Argélia, Afeganistão e dos territórios palestinos pela turbulência que vem ocorrendo no país desde 15 de fevereiro.

Intervenção

Um grupo de oposição contra o regime Muamar Kadafi quer uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia, mesmo sem a aprovação da Organização das Nações Unidas (ONU), mas apenas se nenhum soldado estrangeiro estiver em solo líbio.

Mahmoud Jebril, membro de um grupo de coordenação para os rebeldes do leste da Líbia, disse ontem no Parlamento Europeu que, se fosse para escolher entre evitar que pessoas fossem mortas ou aceitar um desentendimento político dentro do Conselho de Segurança da ONU, a escolha era fácil.

O governo dos EUA sustenta que qualquer autorização para a imposição de uma zona de exclusão aérea deve vir do Conselho de Segurança da ONU. As informações são da Associated Press.