A Líbia ameaçou neste sábado bombardear um navio-tanque com bandeira norte-coreana em um terminal de petróleo no leste, região controlada por insurgentes, se ele não abandonar o local. Militantes separatistas que bloqueiam as instalações do porto de Al-Sidra tentaram carregar petróleo a bordo do navio Morning Glory, no mais recente desafio ao controle do governo central.

“O procurador-geral deu a ordem para que o navio seja parado”, afirmou o primeiro-ministro Ali Zeidan, em entrevista coletiva. “Todas as partes devem respeitar a soberania da Líbia. Se o navio não está de acordo, ele será bombardeado”, afirmou. Zeidan disse que as autoridades haviam dito ao capitão do navio para sair das águas territoriais líbias, mas ele disse que homens armados a bordo estavam impedindo-o de deixar o local.

O governo autoproclamado de Cyrenaica, no leste do país, braço político dos separatistas, disse que foram iniciadas as exportações de petróleo a partir de Al-Sidra. “Anunciamos aos líbios e a todo o mundo que nós começamos a exportar petróleo”, disse Rabbo al-Barassi, que coordena o escritório executivo de Cyrenaica, formado em agosto por ativistas. “Nós não estamos desafiando o governo ou o Parlamento. Mas estamos insistindo em nossos direitos”, afirmou.

Manifestantes nos portos de petróleo do leste exigem a restauração da autonomia da região, concedida na primeira década após a independência da Líbia, que ocorreu em 1951. Eles também acusaram as autoridades de corrupção e estão exigindo uma distribuição mais equitativa das receitas do petróleo.

O vice-ministro da Defesa, Khaled al-Sherif, disse que um “comitê de crise” de autoridades do governo e legisladores haviam emitido um ultimato para que o navio-tanque saísse. “Se o navio não deixar o local, será bombardeado pela Força Aérea ou interceptado no mar pela Marinha”, alertou Sherif. Al-Barassi disse que o governo de Cyrenaica responderia a qualquer tentativa de parar o embarque. Um membro do Parlamento líbio disse, entretanto, que o prazo para saída, 14h locais (9h de Brasília), expirou sem que qualquer ação fosse tomada.

Mohammed al-Harari, porta-voz da companhia nacional de petróleo da Líbia, afirmou que o navio ancorado em Al-Sidra pode transportar até 350 mil barris de petróleo. Fonte: Associated Press e Dow Jones Newswires.