A reta final da campanha para as eleições do próximo dia 12 na Holanda apresenta um equilíbrio entre liberais e trabalhistas, que terão que convencer um grande número de indecisos que suas propostas são a melhor alternativa para o país fugir da crise.

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O Partido Trabalhista (PvdA) liderado por Diederik Samsom continua seu avanço meteórico e imparável. Segundo a pesquisa mais recente da empresa Synovate, está tecnicamente empatado com o liberal Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD), ambos com 35 cadeiras.

Os liberais lançaram mão de artilharia pesada para conter o contra-ataque trabalhista: “O PvdA é um perigo para a Holanda porque com eles haverá menos trabalho, menos estradas e mais listas de espera”, apressou-se a dizer o primeiro-ministro interino e candidato liberal Mark Rutte neste fim de semana ao saber do resultado da pesquisa de intenção de voto.

“Pensava que a estratégia desta campanha era explicar nossas propostas, e não atacar o programa dos outros”, contestou Samsom.

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Os líderes políticos aproveitaram o último fim de semana antes das eleições de quarta-feira para pedir voto nas ruas.

Emiler Roemer, líder do Partido Socialista (SP), cuja postura cética com o euro vem agradando ao setor insatisfeito do eleitorado, pediu votos na capital holandesa, Amsterdã, tradicionalmente de esquerda.

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Em uma campanha na qual os temas econômicos e a crise europeia da dívida tiraram de foco o tema da imigração, o líder antimuçulmano Geert Wilders, que está perdendo influência em relação ao pleito anterior, foi a Tilburg com pleno conhecimento de que o sul da Holanda é o berço de seu eleitorado.

Rutte, vestido de maneira informal, sem gravata e jaqueta, optou pela cidade de Dordrecht, e não muito longe de lá, em Utrecht, Samsom distribuía rosas à multidão.

A três dias do pleito, 33% dos eleitores estão ainda indecisos, dependendo em grande parte deles para qual lado a balança vai pender. Independentemente de quem ganhar as eleições entre os 12 partidos que nela concorrem, a fragmentação política dificultará a formação de coalizões, sendo preciso três ou quatro partidos para conseguir pelo menos 76 cadeiras em um parlamento de 150 representantes.

Os principais analistas políticos do país concordam que, embora o neguem na campanha, trabalhistas e liberais estão destinados a se entender depois de 12 de setembro, já que possíveis coalizões somente de direita ou de esquerda não seriam suficientes para conseguir a maioria no parlamento.

“Ao contrário das outras eleições, há uma alta probabilidade de que os trabalhistas formem uma coalizão com o VVD”, disse à Agência Efe Ruud Andeweg. professor de Política da Universidade de Leiden.

O socialista Emiler Roemer e o democrata-cristão Sybrand Buma opinaram a respeito que Rutte e Samsom já esboçam em segredo um consenso entre seus programas, embora precisem de um ou dois partidos a mais para governar com maioria.

O papel dos liberais de direita (D66), partido que segundo as pesquisas deve ganhar 11 cadeiras, será crucial para a formação de um governo, podendo repetir assim a “coalizão púrpura” que governou sob o mandato do trabalhista Wim Kok entre 1994 e 2002.

Caso se associem, liberais e trabalhistas terão que se mostrar muito flexíveis para chegar a compromissos. Um dos pontos difíceis de serem conciliados é como aplicar os cortes orçamentários, especialmente nas áreas de saúde e habitação.

Os liberais, que ganharam as últimas eleições pela diferença de apenas uma cadeira contra os trabalhistas, formaram em 2010 uma coalizão de minoria com os democratas-cristãos, e tiveram apoio no parlamento do antimuçulmano Geert Wilders.