Lagarde reúne-se com Sarkozy, mas não faz declaração

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, conversou em Paris neste sábado com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, mas não fez qualquer comentário na entrada ou saída, uma hora depois, do palácio Elyssé.

A conversa antecede a viagem de Sarkozy a Berlim, amanhã, quando se reunirá com a chanceler Angela Merkel, uma vez que os líderes da zona do euro buscam um plano para recapitalizar bancos superexpostos à dívida soberana na região.

Ontem, a Comissão Europeia deu 10 dias aos chefes de Estado para que concordem sobre um plano para fortalecer as instituições financeiras, que precisarão, segundo Lagarde, de entre 100 bilhões de euros a 200 bilhões de euros para cobrir potenciais perdas.

Os bancos franceses, em particular, são vistos como superexpostos as dívidas da Grécia, Itália e Espanha, países que estão na linha de fogo e ameaçam o projeto do euro.

As confederações das indústrias da França, Alemanha e Itália apelaram em conjunto neste sábado por uma integração maior europeia, pedindo um novo tratado europeu. Eles destacaram ser essencial que haja capitalização suficiente dos bancos para resolver a atual crise.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, concorda, acusando a Alemanha de falta de visão, em entrevista concedida ao semanário econômico WirtschaftsWoche.

A chanceler alemã Angela Merkel, que comanda a economia mais forte da Europa, disse ontem que os bancos sob pressão devem se voltar primeiro aos investidores para buscar recursos, antes de apelarem aos governos europeus. A França, segunda maior economia europeia, mostrou-se mais favorável ao uso dos recursos públicos para fortalecer os bancos. O fundo de investimento estatal francês já estabeleceu planos para resgatar o banco franco-belga Dexia.

Autoridades do ministério das Finanças em Paris insistiram não haver disputa com Berlim e que um eventual plano pode ser concluído na Europa após o encontro de Sarkozy com Merkel.

Diplomatas disseram que a França, que teme perder a classificação de risco AAA, preferiria recapitalizar os bancos com a existente, mas ainda limitada Linha de Estabilidade Financeira Europeia.

A Alemanha está mais cautelosa sobre a utilização desses recursos, originalmente destinados a ajudar diretamente a Grécia, embora tenha concordado em expandi-lo. Dos 17 países membros da zona do euro, apenas Malta e Eslováquia ainda têm de aprovar a expansão do fundo de resgate europeu.

A Comissão Europeia disse que irá oferecer um modelo nos próximos dias para as nações europeias recapitalizarem os bancos de modo coordenado. As informações são da Dow Jones.

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