Uma decisão judicial sobre se o líder tailandês deposto Thaksin Shinawatra deve perder sua fortuna por causa de acusações de corrupção pode se tornar o mais recente motivo de protestos na Tailândia em quatro anos de turbulência política, às vezes violentas, que expuseram profundas divisões na população local. O governo do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva espera que a decisão, a ser tomada na próxima sexta-feira, leve o país de volta à estabilidade.

A Suprema Corte da Tailândia vai julgar se Thaksin, um magnata do setor de telecomunicações, guardou ilegalmente sua fortuna com os membros da família, já que ele não podia controlar ações de companhias enquanto era primeiro-ministro. O tribunal também vai julgar se o governo de Thaksin, entre 2001 e 2006, implementou políticas para beneficiar seus negócios.

Se for considerado culpado, o que é o mais provável, a corte terá de decidir se confisca parte ou toda a fortuna familiar de US$ 2,29 bilhões, que está congelada em bancos tailandeses.

Os defensores de Thaksin afirmam que as acusações contra ele são um ultraje, parte de uma vingança colocada em prática por uma classe dominante que se sente ameaçada pela popularidade do líder – que venceu duas eleições nacionais – e está determinada a impedir sua volta ao poder. Já os opositores dizem que Thaksin é um enganador megalomaníaco de ambição ilimitada, que tentou usurpar o poder do respeitado monarca constitucional do país, o rei Bhumibol Adulyadej.