A União Europeia propôs nesta quarta-feira redistribuir 160 mil imigrantes entre os países do bloco e enviar de volta aqueles que não se qualifiquem para receber asilo. A iniciativa busca melhorar a resposta à maior onda de imigração no continente desde o fim da Segunda Guerra.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que vem pressionando por um plano abrangente para lidar com a crise, elogiou a proposta como um passo positivo, mas avaliou que ela não faz o suficiente para enfrentar esse fluxo contínuo.

O bloco tem lutado para buscar uma abordagem coerente, em meio a interesses nacionais divergentes e à insistência de alguns países, especialmente os mais pobres do leste, em aceitar refugiados apenas voluntariamente. Os novos planos, que precisam ser aprovados pela maioria dos governos da UE, são a segunda tentativa do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, para ajudar Grécia, Itália e Hungria, os três países na linha de frente da crise.

Pelo plano, a maioria dos países da UE, excluindo Reino Unido, Dinamarca e Irlanda, que não precisam aderir ao sistema comum de asilo europeu, teria de aceitar no total 160 mil refugiados, que já chegaram à Itália, à Grécia e à Hungria, sob o programa, que a Comissão Europeia irá financiar ao custo de 780 milhões de euros. “Isso precisa ser feito de maneira compulsória”, afirmou Juncker, durante discurso no Parlamento Europeu em Estrasburgo.

A Comissão Europeia propôs a redistribuição ao longo dos próximos dois anos e a introdução de um sistema permanente, pelo qual um país pode pedir ajuda quando enfrentar um afluxo repentino de gente. O número de pessoas que serão redistribuídas e a duração desse programa devem ser determinados pela Comissão Europeia a partir de uma análise de cada caso.

Inicialmente, Juncker havia proposto um acordo para que os países compartilhassem 40 mil refugiados pelo bloco, mas a iniciativa foi derrotada em junho. Agora, diplomatas da UE dizem que houve uma mudança política em relação ao assunto em capitais europeias, após milhares de refugiados chegarem. Só a Alemanha espera que 800 mil pessoas peçam asilo no país neste ano. Merkel reiterou o pedido por regras vinculantes, dizendo que a proposta de Juncker é “o primeiro passo de uma distribuição justa”, porém que mais é necessário.

Países como a Hungria mostram preocupação com o número de imigrantes entrando em seu território. “A Europa é hoje uma ilha de esperança para as pessoas no Oriente Médio fugindo da guerra e da opressão. Isso é algo para se orgulhar, não para temer”, afirmou Juncker. “Não devemos ter a ilusão de que a crise de refugiados acabará em breve. Enquanto houver guerra na Síria e terror na Líbia, os refugiados seguirão vindo.”

Juncker disse que, ainda que o número de refugiados e imigrantes possa ser “assustador” para alguns europeus, eles representam apenas 0,11% da população total da UE. A autoridade lembrou que países como Líbano, Turquia e Jordânia abrigam um total de 4 milhões de sírios refugiados. Juncker informou que a UE também elevará o financiamento para os países no Oriente Médio e no norte da África que enfrentam o maior peso da crise.

Na Europa, cada país deve receber 6 mil euros por pessoa realocada. Itália, Grécia e Hungria receberão 500 euros por cada pessoa realocada, para cobrir seus custos de transporte. Fonte: Dow Jones Newswires.