Os juízes do tribunal russo que julgou o recurso contra a condenação da banda Pussy Riot disseram que não sofreram pressão do presidente Vladimir Putin para manter a pena de dois anos para duas das integrantes do grupo.

Em entrevista coletiva hoje, os magistrados do Tribunal Municipal de Moscou responsáveis pelo caso, Larisa Polyakova e Yuri Pasuinine, disseram que não foram pressionados e que souberam da entrevista de Putin durante a sessão.
“Ouvimos as declarações de Putin, mas a decisão tomamos nós mesmos”, disse Polyakova, que autorizou a liberdade condicional de Yekaterina Samutsevitch, mas manteve a prisão de Nadejda Tolokonikova e Maria Alekhina.

“Atuamos conforme a lei e segundo nossas convicções internas”, disse Pasuinine, um dos integrantes da corte.

Em entrevista no domingo, Putin disse que a prisão foi justa. “Não se pode provocar o abalo das bases da moral, destruir o país. Elas conseguiram o que queriam.”

Durante a apelação, ontem, o advogado de defesa, Mark Feiguin, pediu aos juízes que valorizassem a pressão política exercida por Putin, mas o tribunal não atendeu à requisição. “É inadmissível a ingerência [do presidente] na decisão do tribunal de cassação”, disse.

Os juízes disseram que liberaram Samutsevitch e preferiram manter a pena para as duas porque consideraram que as integrantes só poderiam se recuperar socialmente se fossem isoladas.

“Durante a apelação, precisávamos ver quem levantou as pernas, gritou, insultou na catedral. Samutsevich não teve tempo de gritar porque a forçaram a sair. O tribunal considerou isso”, disse Pasuinine.

“Oração”

As três foram condenadas em 17 de agosto a dois anos de prisão por vandalismo motivado por ódio religioso por cantar na catedral de Moscou, em 22 de fevereiro.
As integrantes subiram no altar para tocar uma música que era uma “oração” contra Putin e pedia à Nossa Senhora que livrasse a Rússia do presidente, que controla o país alternando cargos desde 2000.

O julgamento das Pussy Riot recebeu amplas críticas no exterior e a sentença emitida foi classificada de “desproporcional”. Elas receberam o apoio de diversas personalidades internacionais, como Paul McCartney, Madonna, Sting e Yoko Ono, a viúva de John Lennon.

Outras manifestações foram realizadas em várias capitais europeias para denunciar o processo, de Paris a Bruxelas, passando por Londres e Barcelona.