Autoridades egípcias esgotaram todos os meios legais para manter o ex-presidente Hosni Mubarak na prisão, depois que um tribunal de apelações ter ordenado, nesta terça-feira, que ele seja novamente julgado por corrupção, afirmou um funcionário do Judiciário.

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O caso de corrupção era o único que ainda mantinha Mubarak atrás das grades. O deposto ex-presidente autocrata já havia sido absolvido pelos assassinatos de manifestantes durante o levante de 2011, que o derrubou do poder.

A decisão desta terça-feira, tomada pelo Tribunal de Recursos – importante corte sediada no Cairo -, revogou o veredicto anterior, que havia sentenciado Mubarak a três anos de prisão e seus dois filhos, Alaa e Gamal, a quatro anos de detenção cada. Outros quatro réus do caso foram absolvidos. Os advogados de Mubarak haviam recorrido da sentença.

Embora a decisão abra caminho para a iminente libertação de Mubarak, não houve uma declaração explícita das autoridades de que ele deve deixar o hospital no Cairo, onde é mantido sob custódia. Há também declarações conflitantes sobre se a libertação vai acontecer.

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Um funcionário do escritório do chefe da promotoria disse à Associated Presse que “a papelada está sendo analisada” para a libertação do ex-presidente. A fonte, que falou em condição de anonimato, negou-se a especular se e quando Mubarak será libertado.

Porém, um agente de segurança, que não revelou seu nome, disse à agência de notícias estatal Mena que Mubarak permanecerá detido, já que a decisão do Tribunal de Recursos não inclui uma ordem de soltura.

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No caso do assassinato dos manifestantes, um juiz considerou que as acusações eram “inadmissíveis” por questões técnicas. Mas os mesmo juiz também descreveu o levante – um dos primeiros a varrer a região e que integrou a chamada Primavera Árabe – como parte de uma suposta “conspiração americana-judaica” para prejudicar países árabes em benefício de Israel.

A decisão foi um golpe para grupos pró-democracia e de jovens, que lideraram a “revolução” contra Mubarak.

O caso de corrupção – chamado pela mídia egípcia de caso dos “palácios presidenciais – tem relação com acusações de que Mubarak e os filhos desviaram milhões de dólares em recursos do Estado na década anterior ao fim do governo do ex-presidente.

Os recursos teriam como objetivo reformar e manter os palácios presidenciais mas, em vez disso, foram usados na melhoria das residências privadas da família do então presidente.

Mubarak e os filhos também foram multados em 21,1 milhões de libras egípcias (US$ 2,9 milhões) e receberam ordens para reembolsar o Tesouro estatal em 125 milhões de libras egípcias (US$ 17,6 milhões).

A família devolveu cerca de 120 milhões de libras egípcias ao Estado, na expectativa de que as acusações fossem retiradas, mas os procedimentos foram mantidos. Fonte: Associated Press.