Milhares de e-mails, supostamente de contas privadas do presidente da Síria, Bashar Assad, e de sua mulher, Asma, mostram que o líder recebeu conselhos do Irã sobre como lidar com o levante contra seu governo, fez piadas com suas promessas de reforma e contornou as sanções impostas pelos Estados Unidos, ao fazer compras no iTunes, informou o jornal britânico Guardian.

O jornal disse na quarta-feira que recebeu os e-mails de um integrante da oposição síria, a quem não identificou. Os documentos teriam sido interceptados por membros do Conselho Supremo da Revolução entre junho e o início de fevereiro.

Os e-mails dão uma dimensão da família governante, que parece distante de uma revolta que levou a nação árabe à beira da guerra civil e na qual mais de 9 mil pessoas foram mortas no último ano, segundo observadores internacionais.

Segundo o Guardian, a primeira-dama síria, Asma Assad, gastou dezenas de milhares de dólares em produtos de luxo, dentre eles joias, candelabros e móveis.

Os e-mails também dão uma mostra do círculo interno do presidente. Segundo o jornal, eles mostram que Assad recebeu aconselhamento do Irã. Antes de um discurso em dezembro, o consultor de mídia do presidente sírio disse que suas recomendações foram baseadas em “consultas com um bom número de pessoas, além de conselheiros de mídia e política do embaixador iraniano”.

O documento recomenda que Assad use linguagem “poderosa e violenta” e encoraje o regime a “vazar mais informações relacionadas a nossa capacidade militar” para convencer o povo de que tem poder para vencer o levante.

De acordo com a suposta correspondência de Assad, o presidente também recebeu informações em detalhe sobre a presença de jornalistas ocidentais na região rebelde de Baba Amr, em Homs, diz o jornal. Vários jornalistas estrangeiros estavam entre as centenas de pessoas mortas em Homs durante o último ano.

O Guardian publicou uma longa explicação sobre a razão pela qual acredita que os e-mails são verdadeiros, dizendo que a correspondência contém informações privadas, como fotografias e vídeos familiares, uma cópia do documento de identidade do presidente e outros detalhes. O jornal afirma que “seria difícil para até mesmo os melhores fraudadores ou agências de inteligência reunir ou fabricar” o material. Ainda assim, o Guardian reconhece que o processo de verificação não descarta a possibilidade de haver e-mails falsos nos arquivos. As informações são da Associated Press.