A Companhia de Jesus pediu "perdão ao Senhor pelas vezes em que os seus membros lhe faltaram com amor, discrição ou fidelidade durante o serviço eclesiástico", referindo-se às ocasiões em que desobedeceram ao papa Bento XVI.
Foi o que anunciou os "decretos" conclusivos da Congregação Geral dos Jesuítas, que aconteceu em janeiro deste ano em Roma, em resposta a uma carta escrita pelo Papa no início do ano.
Nessa missiva, o Pontífice pediu aos jesuítas que "reafirmem, no espírito de Santo Inácio [o fundador da Companhia de Jesus], a própria adesão total à doutriba católica, em particular sobre pontos nevrálgicos hoje fortemente atacados pela cultura secular, como a relação entre Cristo e as religiões, alguns aspectos da Teologia da Libertação e vários pontos da moral sexual, especialmente os que concernem a indissolubilidade do casamento e a situação dos homossexuais".
Em anos anteriores, diversos teólogos jesuítas foram censurados pela suas teses, consideradas muito ousadas em questões doutrinais ou morais pela Congregação para a Doutrina da Fé, guiada então pelo cardeal Joseph Ratzinger, e atualmente pelo cardeal Levada.
Nos documentos finais aprovados em março e publicados hoje em francês, inglês e espanhol, a Congregação Geral dos Jesuítas fez uma autocrítica severa em relação à desobediência.
"Um desejo excessivo de autonomia conduziu alguns a demonstrar diversas formas de auto-suficiência e de falta de empenho", lê-se. "Falta disponibilidade diante de nossos superiores, falta de prudência na expressão das nossas opiniões, ausência de cooperação nas nossas relações com as Igrejas locais, ou falta de afeto perante a Igreja e a Companhia".
Os "decretos" ainda ratificam a opção preferencial pelos pobres e o o compromisso da Companhia em permanecer "nas fronteiras" gerográficas e intelectuais do mundo contemporâneo.


