O jornal israelense Haaretz informou nesta sexta-feira que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está pronto para congelar parcialmente a construção em assentamentos na Cisjordânia se isso trouxer os palestinos de volta às negociações diretas. Mas os palestinos dizem que não estão cientes da oferta e que não aceitarão nada além do completo congelamento das construções.

Segundo o Haaretz, a oferta de Netanyahu foi feita na quarta-feira durante uma conversa com a ministra de Relações Exteriores da Colômbia, Maria Angela Holguin, que fez uma visita surpresa à região nesta semana para tentar persuadir israelenses e palestinos a voltar para a mesa de negociação.

Durante o encontro, que aconteceu um dia depois de ela ter conversado com o presidente palestino Mahmoud Abbas em Ramallah, Holguin disse a Netanyahu que o líder palestino precisava de um gesto simbólico em relação aos assentamentos para retornar às negociações, disse um graduado integrante do governo ao jornal.

Em resposta, Netanyahu declarou que estaria “pronto para fazer tal gesto se ele significasse o retorno de Abbas à mesa de negociação” e concordou em congelar todas as construções patrocinadas pelo governo e as realizadas em terras públicas.

Mas ele disse que não concordaria em congelar as atividades de construção realizadas por empresas privadas, que segundo um recente estudo palestino, representam cerca de 80% das atividades de construção nos assentamentos.

Segundo a fonte, a oferta colocaria em teste a disposição de Abbas sobre o retorno à negociações diretas. “Netanyahu disse que estava pronto para testar Abbas ao fazer o gesto em relação aos assentamentos. ‘Se Abbas é sério sobre as negociações, ele vai retomar as negociações diretas'”, teria declarado o primeiro-ministro.

O funcionário israelense disse que a proposta foi entregue para Abbas na quarta-feira, mas o negociador palestino Saeb Erekat negou nesta sexta-feira que tal oferta tenha sido feita e reafirmou que apenas o congelamento total das construções, incluindo em Jerusalém oriental, faria com que voltassem a negociar.

“O governo israelense sabe muito bem como nos informar oficialmente. Até agora, ninguém nos disse nada.”

O porta-voz de Netanyahu, Mark Regev, recusou-se a comentar diretamente a matéria do Haaretz dizendo apenas que “a posição do primeiro-ministro não mudou. Ele está pronto para as negociações com a Autoridade Palestina, contanto que não haja precondições.”

As informações são da Dow Jones.