A Irmandade Muçulmana do Egito convocou uma onda de protestos para esta sexta-feira. O grupo está irritado com a deposição, pelos militares, do presidente Mohammed Morsi, o que eleva os temores sobre violência e medidas de retaliação por parte de militantes islâmicos. Morsi e outras importantes figuras da Irmandade foram detidos.

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O primeiro ataque coordenado realizado por militantes islâmicas desde a queda do presidente aconteceu na Península do Sinai. Homens usando máscaras realizaram ataques com foguetes, morteiros, granadas propelidas por foguete e armas antiaéreas contra o aeroporto el-Arish, onde aeronaves militares estão estacionadas. O campo de Segurança Central em Rafah e cinco postos militares e policiais também foram atacados.

As forças de segurança revidaram o ataque e helicópteros militares sobrevoaram a área. O Egito fechou, por tempo indeterminado, seu posto de fronteira com a Faixa de Gaza após o ataque, o que obrigou 200 palestinos a voltarem ao território, informou o general Sami Metwali, diretor da passagem fronteiriça de Rafah.

Na noite de quinta-feira, o coronel Ahmed Mohammed Ali escreveu, em sua página no Facebook, que o Exército e as forças de segurança não adotarão “quaisquer medidas excepcionais ou arbitrárias” contra qualquer grupo político.

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As Forças Armadas têm um “forte desejo de assegurar a reconciliação nacional, a justiça e a tolerância construtivas”, escreveu ele, que afirmou ser contra o “regozijo” e a vingança e que apenas protestos pacíficos serão tolerados. O coronel também pediu que os egípcios não ataquem escritórios da Irmandade para evitar um “círculo infindável de represálias”.

Integrantes da Irmandade pediram a seus seguidores que mantenham os protestos num nível pacífico. Milhares de partidários de Morsi permanecem reunidos em frente a uma mesquita do Cairo, onde acampam há semanas. Uma fileira de veículos militares blindados está instalada nas proximidades.

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“Nós declaramos nossa completa rejeição ao golpe militar realizado contra um presidente eleito e contra o desejo da nação”, disse a Irmandade em comunicado, lido pelo clérigo sênior Abdel-Rahman el-Barr para a multidão que se aglomerava do lado de fora da mesquita Rabia al-Adawiya, na capital egípcia.

“Nós nos recusamos a participar de qualquer atividade com as autoridades usurpadoras”, diz o documento, que também pede aos partidários de Morsi que mantenham suas atividades de forma pacífica. Os manifestantes de

Rabia al-Adawiya pretendem marchar até o Ministério da Defesa nesta sexta-feira. Fonte: Associated Press.