O ministro de Relações Exteriores do Irã, Ali Akbar Salehi, saudou neste domingo a disposição dos Estado Unidos de realizar negociações diretas com Teerã a respeito do programa nuclear iraniano, mas não se comprometeu a aceitar a oferta, afirmando que Washington deve demonstrar intenções “justas e verdadeiras” para resolver a questão. Ele reclamou também da “retórica ameaçadora” de Washington.

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Salehi afirmou que nenhuma “linha vermelha” iraniana vai ficar no caminho das negociações diretas com Washington, mas também destacou a profunda desconfiança entre os dois países.

O ministro iraniano falou na mesma conferência internacional de segurança na qual o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, declarou, no sábado, que os Estados Unidos estavam prontos para conversar diretamente com o Irã. Biden afirmou que Teerã deve mostrar sua seriedade e que Washington não vai entrar em conversações apenas “para se exercitar”.

Washington havia indicado no passado que está preparado para negociações diretas com o Irã sobre a questão nuclear, mas nada de concreto havia sido anunciado até então.

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Conversações envolvendo os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) – Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China – além da Alemanha, tiveram pouco progresso, enquanto várias rodadas de sanções internacionais reduziram as vendas de petróleo e transações financeiras do Irã.

A próxima rodada de negociações com as seis potências será realizada em 25 de fevereiro no Casaquistão, afirmou Salehi durante a conferência. Ele afirmou que as declarações de Biden marcaram “um passo adiante”, mas indicou que iniciar conversações bilaterais com os Estados Unidos não será uma tarefa fácil.

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“Não temos qualquer linha vermelha para negociações bilaterais no que diz respeito a um assunto em particular”, afirmou Salehi. “Se o assunto é a questão nuclear, sim, estamos prontos para negociar, mas temos de ter certeza… que o outro lado vem com intenções verdadeiras, com desejo justo e verdadeiro de resolver o assunto.”

Segundo Salehi será “contraditório” se os Estados Unidos expressarem sua prontidão para realizar conversações diretas “mas, por outro lado, usarem sua retórica ameaçadora de que tudo está sobre a mesa…essas coisas não são compatíveis uma com a outra”. “Estamos prontos para um compromisso apenas se estivermos em pé de igualdade”, disse ele.

O Irã afirma que não quer construir armas nucleares e argumenta que tem o direito de enriquecer urânio para seu programa civil de produção de energia, mas a suspeita persiste.

No mês passado, o Irã anunciou sua intenção de aumentar seu ritmo de enriquecimento de urânio, material que pode ser usado tanto em reatores como em ogivas nucleares. As informações são da Associated Press.