O Irã saiu ontem em busca do voto brasileiro para ser eleito ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). A votação ocorre no dia 13 de maio na Assembleia-Geral da ONU, às vésperas da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Teerã. Em Genebra e Nova York, os países europeus e o governo norte-americano se mobilizam para evitar que o Irã – acusado de graves violações contra sua população – seja eleito para o órgão máximo de direitos humanos.

A diplomacia iraniana confirmou que, já em 2009, enviou uma carta a uma série de “países amigos” pedindo apoio na eleição internacional. O nome do Brasil, segundo a missão do Irã em Genebra, constaria na lista. O Conselho reúne 47 países, eleitos por uma maioria na Assembleia-Geral. Entre os representantes asiáticos, quatro serão substituídos em maio e o Irã quer uma das vagas. Arábia Saudita e China, frequentemente criticadas por violações aos direitos humanos, fazem parte do grupo.

A partir de agora, a estratégia iraniana será a de promover reuniões bilaterais para pedir apoio. Mais uma vez, o voto brasileiro é considerado como fundamental. A ofensiva ocorrerá principalmente em Nova York e em Brasília. “Vamos usar todos os canais diplomáticos para conseguir apoio”, afirmou um representante iraniano na ONU.

A pressão pela obtenção de um voto brasileiro pode colocar o Itamaraty em uma saia-justa. O governo já admite que há uma pressão da sociedade civil contra uma aproximação com o Irã sem que haja um sinal claro de Teerã em relação aos direitos humanos. Mas votar contra Teerã na ONU enquanto Lula estiver prestes a embarcar poderia azedar a viagem.