Irã quer diálogo ‘construtivo’ sobre programa nuclear

O Irã disse esperar um diálogo “construtivo” com outros países sobre seu programa nuclear. Mas insistiu que não interromperá suas atividades de enriquecimento de urânio, informou a agência estatal Irna hoje. O despacho da agência era uma resposta a um convite de Estados Unidos, Grã-Bretanha, China, França, Alemanha e Rússia para uma nova rodada de negociações sobre o tema nuclear, ainda sem data marcada. “O Irã saúda conversas construtivas e justas, baseadas no respeito mútuo”, disse a Irna, citando um comunicado do governo. Teerã “acredita que os problemas existentes na arena internacional devem ser resolvidos através do diálogo”, aponta o texto.

Os EUA, Israel e outros países acusam o Irã de secretamente tentar desenvolver armas atômicas. Teerã nega a intenção, afirmando que seu programa nuclear tem apenas fins pacíficos, como a geração de energia. Na semana passada, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse que o país preparava um pacote de propostas com o objetivo de resolver a disputa com o Ocidente por causa de seu programa nuclear. Também afirmou que Teerã buscava construir uma nova relação com os EUA.

Os EUA e as cinco potências mundiais discutem possíveis estratégias para lidar com o Irã. Entre as possibilidades está deixar o país enriquecendo urânio em seu nível atual por um período não determinado. Esse processo de enriquecer urânio pode ser usado tanto para fins pacíficos quanto para produzir bombas. Caso se confirme, essa abordagem seria uma mudança na exigência de longa data da administração George W. Bush, de que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio como uma condição para qualquer negociação direta.

A administração de Barack Obama disse que funcionários norte-americanos comparecerão às conversas. Segundo fontes do governo norte-americano, a primeira meta é trazer o Irã de volta às negociações, e o fim último é que o país interrompa suas atividades de enriquecimento de urânio. Teerã seguidamente sustenta que não abandonará seu direito, estabelecido no Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), de produzir combustível nuclear.

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