Quase 190 nações estarão representadas segunda-feira, em Nova York, para uma importante conferência de revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). O encontro deve ter o programa nuclear iraniano como um de seus principais tópicos. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, deve chefiar a delegação do país, mas ainda espera um visto dos Estados Unidos para ir à sede das Nações Unidas, disseram funcionários. O Irã se recusa a interromper seu programa nuclear, argumentando ter apenas fins pacíficos, como a produção de energia, mas países como os EUA temem que Teerã busque secretamente armas nucleares.

Há uma certa preocupação de que o tema do Irã possa tirar a atenção do encontro dos 189 signatários do TNP. A reunião busca progressos no desarmamento e na melhoria do monitoramento dos programas nucleares pelo mundo. A última das revisões ocorreu em 2005 e nem chegou a produzir um documento final. Israel, Índia, Paquistão e Coreia do Norte adquiriram armas nucleares desde que o TNP entrou em vigor, em 1970. Inicialmente, possuíam a bomba nuclear Grã-Bretanha, China, França, Rússia e EUA – os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

O Irã é visto como um caso importante para se testar a força desse tratado, pois o país resiste aos pedidos da ONU para que pare de enriquecer urânio. Os EUA pressionam pela quarta rodada de sanções contra o Irã no Conselho de Segurança, mas a Rússia e, principalmente, a China têm sido evasivas quanto ao tema. Washington esperava ter uma resolução contra o Irã antes da conferência do TNP, que vai do dia 3 a 28 de maio.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, chefiará a delegação da casa. Os EUA, porém, terão que negociar o tema do Irã enquanto a conferência ocorre. Isso pode politizar o debate sobre o TNP, mesmo que a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, tenha dito ontem que a questão da não proliferação é “maior que qualquer país sozinho”.

Pressão sobre Israel

Outro fator de discórdia deve ser a insistência do Egito, apoiado por Estados não-alinhados, de que Israel integre o TNP. Cairo pede também uma conferência internacional para a criação de uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio. A conferência de revisão do TNP de 1995 já pedira uma zona do tipo. Acredita-se que Israel tenha cerca de 200 bombas atômicas, mas o país não confirma nem nega essa informação. Israel afirma concordar com uma zona livre de armas nucleares, mas insiste que primeiro deve haver um acordo de paz no Oriente Médio.

O TNP estabelece uma troca. Os países com armas nucleares se comprometem a trabalhar pelo seu desarmamento, enquanto as outras nações não produzem uma bomba e recebem acesso à energia nuclear para fins pacíficos. Para o Irã e muitas nações em desenvolvimento, porém, essa troca do TNP não tem funcionado e é prejudicial para a maioria dos Estados. O presidente dos EUA, Barack Obama, assumiu prometendo restaurar a credibilidade do país na busca pela não proliferação. Um ano atrás, em um discurso em Praga, Obama pediu esforços por um mundo livre de armas nucleares.

Os EUA concluíram recentemente um acordo com a Rússia para controle de armas estratégicas. O novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start) prevê a redução das ogivas nucleares do dois países. As informações são da Dow Jones.