O Irã informou hoje que prendeu “espiões e terroristas” ligados ao serviço de inteligência israelense, o Mossad, que teria coordenado o assassinato do cientista nuclear Masoud Ali Mohammadi no ano passado.

O Ministério de Inteligência disse, em comunicado divulgado pela televisão estatal, que as forças de segurança do Irã “se infiltraram” na inteligência israelense e obtiveram “informações importantes e sensíveis sobre as operações e os espiões do Mossad”. Os principais elementos por trás deste crime terrorista (o assassinato do cientista) foram detidos, e a rede de espiões e terroristas ligadas ao regime sionista foi desmantelada”, diz o comunicado.

Em janeiro de 2010, Ali Mohammadi, um professor de física de partículas da Universidade de Teerã, morreu após um ataque a bomba do lado de fora de sua casa. O Irã responsabilizou um grupo de “mercenários” pagos por Israel e pelos Estados Unidos pelo ataque. “O Mossad tem algumas bases na Europa e fora deste continente, bem como bases em alguns países vizinhos, e as usou para realizar o covarde assassinato de Ali Mohammadi”, afirmou hoje o ministério.

O comunicado acrescenta que novas informações sobre “a infiltração no Mossad, bem como o desmantelamento de sua rede de espionagem e do complô para assassinar nosso cientista, serão gradualmente revelados na oportunidade correta”.

O Irã também responsabilizou os serviços de inteligência de Israel, dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha pelo ataque a bomba contra dois importantes cientistas nucleares em 26 de novembro. Majid Shahriari, um importante cientistas envolvido nas atividades nucleares iranianas, foi morto por uma bomba colocada em seu carro. Fereydoon Abbasi Davani, outro especialista nuclear, ficou ferido num ataque semelhante.

O Irã está sob quatro rodadas de sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) por sua recusa em suspender seu programa de enriquecimento de urânio, processo que pode resultar na produção de combustível nuclear ou, em sua forma mais enriquecida, no núcleo físsil de uma bomba atômica.

Os governos ocidentais suspeitam que o programa nuclear iraniano encobre um projeto que pode resultar na capacidade de construir armas atômicas, acusação negada por Teerã. Israel e os Estados Unidos não descartam a hipótese de um ataque militar contra o Irã para interromper seu programa nuclear. As informações são da Dow Jones.