O Irã acusou nesta segunda-feira a Arábia Saudita de utilizar o ataque à sua embaixada em Teerã, capital do Irã, como um pretexto para alimentar as tensões em toda a região, segundo declarou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Hossein Jaberi Ansari, acrescentando que a execução do clérigo xiita Nimr al-Nimr no fim de semana era um exemplo disso.

“A Arábia Saudita vê os seus interesses e até mesmo a sua existência em contínuas tensões e confrontos”, disse Ansari durante uma coletiva de imprensa. O porta-voz disse ainda que o reino “tenta resolver seus problemas internos projetando-os e exportando-os ao exterior”.

Ontem à noite, a Arábia Saudita rompeu relações diplomáticas com o Irã, horas depois que manifestantes invadiram e atearam fogo em sua embaixada em Teerã. Riad retirou seus representantes da missão diplomática no Irã e ordenou que diplomatas iranianos saiam do reino.

O ataque ocorreu um dia depois do governo saudita executar 47 pessoas condenadas por terrorismo. Uma dessas pessoas era o clérigo xiita Nimr al-Nimr, que tinha 56 anos. Ele fazia oposição à dinastia sunita Al-Saud, que comanda no país desde a sua criação, em 1932. A execução de al-Nimr gerou indignação em líderes xiitas do Irã, enquanto multidões invadiram a embaixada saudita em Teerã.

O vice-chanceler do Irã, Hossein Amir Abdollahian, disse que a decisão da Arábia Saudita de cortar relações diplomáticas não podem encobrir “o erro estratégico de Riad em matar um clérigo xiita proeminente”.

Abdollahian também acusou a Arábia Saudita de promover o terrorismo e o extremismo no Oriente Médio. Seus comentários foram transmitidos nesta segunda-feira por um canal de televisão estatal do Irã. Fonte: Associated Press.