O impasse envolvendo um homem armado que mantém várias pessoas no interior de um café em Sydney, Austrália, já durava 12 horas na noite desta segunda-feira (horário local), mas várias perguntas ainda não haviam sido respondidas. A polícia se recusa a dizer quantas pessoas estão no interior da loja, quais devem ser os motivos que levaram o homem a invadir o local, se ele fez alguma exigência ou se as cinco pessoas que saíram do café fugiram ou foram libertadas.

“Eu gostaria de informar o máximo que eu posso, mas neste momento este é o máximo que eu posso”, declarou o comissário de polícia de Nova Gales do Sul, Andrew Scipione. “Em primeiro lugar, temos de nos certificar de que não faremos nada que possa, de alguma forma, ameaçar os que ainda estão no interior do prédio.”

Não estava claro se o ataque tem ligação com grupos extremistas islâmicos, embora duas pessoas tenham sido vistas segurando uma bandeira com dizeres em árabe, aparentemente a shahada, a profissão de fé islâmica.

A polícia negociava com o homem e disse que não tinha informações que indicasse que há feridos no local. Segundo Scipione, a polícia não tinha informações sobre se o sequestro tem relação com o terrorismo.

“Nosso objetivo esta noite e pelo período em que o cerco durar é retirar em segurança as pessoas que estão lá dentro”, afirmou ele.

A emissora de televisão Channel 10 disse ter recebido um vídeo no qual um refém repassa as exigências do sequestrador. O canal de televisão informou que a polícia pediu que as imagens não sejam transmitidas. Scipione pediu a empresas de comunicação que digam ao homem que fale com a polícia, caso ele entre em contato com a mídia.

A situação teve início às 9h45 de segunda-feira na loja de chocolates Lindt no Martin Place, uma praça no coração do bairro financeiro e comercial que está cheio de pessoas fazendo compras para o Natal.

Centenas de policiais estão nas ruas da cidade, ruas foram fechadas e escritórios próximos esvaziados. As pessoas foram aconselhadas a não ir para Martin Place, local onde estão instalados o gabinete do primeiro-ministro, o Banco de Reserva da Austrália (o banco central do país) e a sede de dois grandes bancos privados. O Parlamento fica a alguns quarteirões da praça.

Pessoas que trabalham na área isolada receberam instruções para ficar em casa na terça-feira, o que indica que a polícia acredita que o incidente pode se estender para o dia seguinte.

A Lindt da Austrália postou uma mensagem em sua página no Facebook agradecendo o público pelo apoio. “Estamos profundamente preocupados com este sério incidente e nossos pensamentos e orações estão com os funcionários e clientes envolvidos e todos os seus amigos e familiares”, escreveu a empresa.

O governo da Austrália elevou seu alerta para terrorismo em setembro, em resposta a ameaças domésticas representadas por partidários do grupo Estado Islâmico. Grupos que integram uma força-tarefa de contraterrorismo realizaram dezenas de ações deste então, detendo várias pessoas nas três maiores cidades do país: Melbourne, Sydney e Brisbane.

Um homem detido durante uma das ações em Sydney foi indiciado por conspiração com o líder do Estado Islâmico na Síria para decapitar uma pessoa no centro de Sydney.

O Estado Islâmico, que controla um terço da Síria e do Iraque, já ameaçou a Austrália no passado. Em setembro, um porta-voz do grupo, Abu Mohammed al-Adnani, divulgou uma mensagem de áudio pedindo ataques de “lobos solitários” no exterior, mencionando especificamente a Austrália. Al-Adnani disse aos muçulmanos que eles deveriam matar todos os “descrentes”, fossem eles civis ou soldados.