Os americanos que buscam Deus têm cada vez mais probabilidades de encontrá-lo graças aos terminais automáticos colocados nas portas das igrejas, as missas transmitidas ao vivo na internet e as mensagens de padres e rabinos através de serviços on line.

A tecnologia é a mais recente ferramenta utilizada pelas igrejas de todos os credos para recuperar seus fiéis, que começam a debandar novamente após terem praticamente invadido igrejas, sinagogas e mesquitas depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

A boa notícia para aqueles que acham antiquadas ou opressivas as práticas de sua religião é que ser fiel e praticante nos Estados Unidos agora é muito mais fácil.

Nas paróquias católicas de Baton Rouge (Louisiana), por exemplo, estão sendo instaladas caixas automáticas na entrada das igrejas: assim se evitará o incômodo de se encontrar sem dinheiro na hora em que o sacristão passa para recolher esmolas.

Outros fiéis gostam de acompanhar os sermões on line. Os grupos de reza pela internet se triplicaram desde 2000 e em Hartford (Connecticut), o Instituto de Pesquisas sobre Religião descobriu que 55% das igrejas têm sites Web, diante dos 18% de cinco anos atrás.

Nesses sites surgiram recentemente novidades como a missa ao vivo através de banda larga, ideal para o paroquiano que no domingo de manhã não quer sair de sua casa e segue o serviço religioso de pijama.

Erin Polzin, de 20 anos, uma estudante luterana de Minneapolis, não pisa em uma igreja há meses, mas nem por isso deixa de ser praticante. Ela acompanha a missa dominical pelo rádio, além de pagar esmola e se confessar regularmente pela internet: “Odeio levantar cedo no domingo. Desta forma é como ir à igreja sem ter de ir realmente”.

O avanço tecnológico na religião provocou algumas inquietudes no clero mais tradicionalista. Mas várias igrejas se resignaram ao mal menor, já que o objetivo é frear a debandada dos fiéis.

A economia em crise só ajuda a piorar as coisas: uma recente pesquisa na Califórnia descobriu que a quantidade daqueles que ainda pagam o dízimo (10% de seus rendimentos) para sua paróquia vem caindo mês após mês.

Nesse clima de crise, não é uma total surpresa que formas de aproximação aos fiéis com a pregação via e-mail estejam dando resultado.

Judeus ortodoxos também se beneficiam da tecnologia

Em Manhattan, a Trinity Church começou a colocar na internet o sermão semanal, enquanto em São Francisco a Grace Cathedral colocou on line o áudio da missa de domingo, para um público de 1.500 fiéis, o dobro dos que semanalmente vão à igreja.

Esse serviço, que custa à catedral US$ 20 mil por ano, nasceu quando os religiosos viram o sucesso de um popular “talk show” prévio à missa, que permite aos fiéis enviar perguntas por correio eletrônico. “Estamos aqui para incluir os mais preguiçosos espiritualmente”, explicou Rick Johnson, o porta-voz da igreja californiana.

Se a missa no próprio templo não é suficiente para facilitar o caminho espiritual dos americanos, o site da internet VirtualRosary.com guia durante 20 minutos os católicos em suas rezas e recebe pelo menos 2.500 visitas diárias.

Novos dispositivos foram ou estão sendo criados para também facilitar as práticas religiosas dos judeus mais ortodoxos. Um deles é o Auto Time, que vende um programa de computador capaz de comandar à distância lâmpadas, fornos e condicionadores de ar nos sábados ? quando os judeus ortodoxos não podem viajar, trabalhar e nem manipular artefatos tecnológicos.

Finalmente, quem tem necessidade da mensagem de Deus pode contar com o novo software de Olive Tree Bible, que permite baixar em um palm top (computador de mão) a Bíblia completa. Só neste ano, as vendas aumentaram em 15%.