Foi realizada hoje, em Honduras, a cerimônia de instalação da Comissão da Verdade, que vai investigar o golpe de Estado contra o ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya. “A comissão não nasce em águas tranquilas porque a situação que a produziu ainda não desapareceu. Ela nasce em meio a preconceitos e opiniões adversas em seu trabalho e entre seus integrantes,” afirmou Eduardo Stein, coordenador da comissão. “Buscaremos a verdade de maneira disciplinada, incansável e sem excluir nada, nem nenhum tema, por mais conflituoso que seja, incluindo as violações aos direitos humanos”, afirmou.

O presidente Porfirio Lobo disse, durante a cerimônia de hoje, que a instalação é uma mostra “do propósito de sanar as feridas, de aprender com nossos erros e construir juntos o futuro do país”. O acordo que criou a instância foi firmado em outubro de 2009 por Zelaya, deposto em junho, e pelo então presidente no poder, Roberto Micheletti.

No entanto, os partidários de Zelaya, o presidente deposto, recusaram de imediato o grupo de investigação e decidiram criar outro, com os mesmos fins. A Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), que apoia Zelaya, qualificou a comissão de “falsa”. “Rechaçamos a falsa Comissão da Verdade porque ela serve de desculpa aos golpistas para evitar condenações pela Justiça”, afirmou a Frente em comunicado.

A comissão hondurenha será composta pelo coordenador, Eduardo Stein, a ministra de Justiça peruana María Zavalak, o diplomata canadense Michael Kergin, a reitora da Universidade Nacional Autônoma Julieta Castellanos e o ex-reitor da mesma instituição, Jorge Casco. Já a comissão “paralela”, dos partidários de Zelaya, terá a participarão da vencedora do prêmio Nobel da Paz, a guatemalteca Rigoberta Menchú e a argentina Nora Cortina, uma das avós da Praça da Maio, de acordo com comunicado da FNRP.

Em mensagem divulgada por sua mulher, Xomara Castro, Zelaya disse que o FNRP “é a única via de unidade para o povo” e considerou como “necessidade inadiável a convocação de uma Constituinte” que reforme a lei fundamental e funde um novo Estado hondurenho. Esta foi a iniciativa que provocou sua queda.