O governo do Hamas executou hoje dois homens acusados de colaborar com Israel, um sinal do endurecimento dos métodos de controle do grupo palestino na Faixa de Gaza. Foi a primeira vez que a pena de morte foi aplicada em Gaza desde que o Hamas tomou violentamente o poder no território costeiro, em 2007.

Os corpos crivados de bala dos homens, condenados por tribunais militares em 2008 e 2009, foram deixados por homens armados no principal hospital de Gaza antes do amanhecer desta quinta-feira, disseram funcionários da instituição.

As execuções levaram a protestos de grupos de direitos humanos e provavelmente devem aprofundar o isolamento do Hamas, já ignorado pela maior parte dos países. Grupos de direitos humanos criticam os tribunais militares do Hamas, dizendo que eles geralmente se baseiam em confissões conseguidas sob tortura. Bill Van Esveld, do Human Rights Watch, sediado em Nova York, chamou as execuções, hoje, de “um grave passo para trás” para o Hamas.

Com a execução dos dois suspeitos, restam ainda nove condenados à morte no território, três por agir como informantes e seis por assassinato. Além disso, seis homens foram condenados à morte à revelia, segundo a Comissão Independente Palestina de Direitos Humanos.

A Anistia Internacional e outros grupos de direitos humanos acusam homens do Hamas de matar supostos colaboradores durante o caos da ofensiva israelense contra Gaza ocorrida entre o fim de 2008 e início de 2009. Durante a guerra, 17 pessoas foram encontradas mortas depois de fugir de uma prisão de Gaza danificada por ataques aéreos israelenses. A maioria era suspeita de colaborar com Israel.

A lei palestina permite a aplicação de pena de morte aos condenados por colaborar com Israel e outros crimes. Tribunais de Gaza e da Cisjordânia – governada pelo presidente Mahmoud Abbas, rival do Hamas – aplicaram sentenças de morte durante vários anos. Porém, desde que chegou ao poder em 2005, Abbas não assinou nenhuma ordem de execução, passo exigido pela lei palestina. Nenhuma execução oficial foi realizada em Gaza em quase uma década.