As negociações para a unidade política entre os movimentos palestinos Hamas e Fatah foram interrompidas hoje no Cairo, até a próxima semana, por causa do desacordo sobre a escolha de um primeiro-ministro para a Autoridade Nacional Palestina (ANP), disse um negociador palestino. A unificação dos governos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza é vista como essencial para os palestinos, que buscam a declaração de um Estado.

O negociador do Fatah, Azzam al-Ahmad, disse que as negociações serão retomadas em uma semana e contarão com as duas lideranças mais importantes dos palestinos na atualidade – o presidente Mahmoud Abbas, da ANP, e o líder do Hamas, Khaled Meshal.

Funcionários do Hamas disseram que as duas partes concordaram que o atual primeiro-ministro, Salam Fayyad, que é apoiado pelo Ocidente, deixe o cargo. Mas al-Ahmad negou essa afirmação. O Hamas vê Fayyad, considerado um moderado popular, como muito próximo ao Ocidente. Já o Fatah acredita que o economista, educado nos Estados Unidos, é o melhor candidato para reduzir as preocupações de que dinheiro doado aos palestinos acabe nas mãos do Hamas.

Israel, os EUA e a União Europeia classificam o Hamas como uma organização terrorista. A Rússia, a Suíça e vários países, contudo, classificam o Hamas como movimento político palestino. A organização não reconhece a existência de Israel e se recusa a abandonar a violência.

Desde 2006, o Fatah e o Hamas têm sérias divergências políticas, quando o Hamas venceu as eleições parlamentares. O auge da disputa ocorreu em 2007, quando o Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza. Desde então, o Hamas governa o território, enquanto a ANP, apoiada pelo Ocidente e liderada pelo Fatah, mantém um governo frágil sobre a Cisjordânia, onde existe ocupação militar de Israel. As informações são da Associated Press.