Os juízes de apelação do Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, na Holanda, ordenaram hoje aos promotores que reconsiderem as acusações de genocídio apresentadas contra o presidente do Sudão, Omar Bashir. Em março do ano passado, a Corte emitiu contra Bashir uma ordem internacional de captura para que respondesse por sete acusações de crimes de guerra e de lesa humanidade, entre elas assassinato, tortura, estupro e expulsão forçada de habitantes de Darfur, no oeste sudanês.

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No entanto, hoje, os juízes de apelação do tribunal patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU) consideraram haver evidências insuficientes para que Bashir seja levado a julgamento por genocídio. O magistrado finlandês Erkki Kourula, da instância de apelações do TPI, declarou hoje que a decisão original requer um padrão demasiado alto de evidências e ordenou aos juízes que reconsideram a apresentação de acusações de genocídio. Os promotores do TPI recorreram da decisão.

De acordo com estimativas da ONU, mais de 300 mil pessoas morreram e cerca de 2,7 milhões foram obrigadas a fugir em seis anos de conflito em Darfur. O governo do Sudão classifica as estimativas como exageradas.

A violência começou quando integrantes de tribos africanas da região pegaram em armas e rebelaram-se contra o governo sudanês. As tribos africanas reclamam de décadas de negligência e discriminação. O governo iniciou então uma contrainsurgência durante a qual uma milícia árabe pró-Cartum cometeu atrocidades contra a comunidade africana.

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Há anos existe a discussão sobre se o conflito entre o governo sudanês, dominado por árabes, e os rebeldes de etnias africanas em Darfur pode ou não ser qualificado como genocídio. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seu antecessor, George W. Bush, referem-se à situação como tal, mas a ONU não.