Partes de um complexo do governo foram incendiadas na cidade egípcia de Porto Said, quando manifestantes, que jogavam pedras e lançavam bombas incendiárias, entraram em confronto com a polícia, que usou gás lacrimogêneo e tiros de chumbinho. A confrontação aconteceu horas depois de milhares de moradores da cidade terem realizado um protesto durante um funeral de civis mortos durante uma batalha de rua com policiais, um dia antes. Além dos três civis, três policiais também morreram no domingo.

Os dois dias de confrontos colocaram o Exército numa situação curiosa. Tropas que tentava interromper os combates foram atingidas por gás lacrimogêneo, um coronel foi ferido por disparos e em alguns momentos os soldados abriram fogo na direção dos policiais.

Essas cenas destacam um cenário que muitos no Egito veem como um misto de preocupação e alívio: o fato de que o Exército pode voltar à política, por causa dos crescentes protestos, problemas com a lei e a ordem e os desafios cada vez maiores enfrentados pelo presidente. “Nós queremos uma retaliação”, gritavam os participantes. “Agora é guerra entre vocês e nós, Ministério do Interior”.

Os participantes da procissão, que levavam os caixões dos mortos para o cemitério, agitavam bandeiras da cidade, que se tornaram um símbolo da revolta de Porto Said contra o governo.

A violência teve início quando os manifestantes, que voltavam do funeral, lançaram pedras contra a sede da polícia, que fica no complexo do governo. Os policiais responderam com gás lacrimogêneo.

Os militares ficaram de prontidão quando manifestantes e policiais começaram a se agredir mutuamente. Num determinado momento, os militares dispararam para o ar para interromper o confronto. Chamas podiam ser vistas na sede do governo provincial e no escritório da autoridade fiscal, que ficam próximos ao prédio da polícia. Os bombeiros não haviam conseguido chegar até o incêndio.

Autoridades médicas disseram que pelo menos oito pessoas ficaram feridas por tiros de chumbinho. As informações são da Associated Press.