A coalizão liderada pelo primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, acusou um funcionário eleitoral de manipular a contagem dos votos da eleição parlamentar ocorrida no domingo e pediu uma recontagem, disse hoje um candidato do bloco. Trata-se da última acusação feita contra o pleito, já prejudicado por um processo caótico e demorado e por alegações de fraude. A facção de al-Maliki aparece com uma estreita liderança na corrida eleitoral, segundo resultados parciais divulgados pela comissão eleitoral.

Ali al-Adeeb, candidato da lista de al-Maliki, afirmou que o primeiro-ministro enviou uma reclamação para a Alta Comissão Eleitoral Independente e aos conselheiros da Organização das Nações Unidas (ONU). “Houve manipulação dos números feita por um funcionário que trabalha na seção de entrada de dados”, disse al-Adeeb, sem citar o nome do funcionário. “Esta pessoa está trabalhando para beneficiar um bloco e manipular os números.” De acordo com ele, a coalizão também pediu a recontagem dos votos de todas as mais de 50 mil sessões eleitorais do país.

Desde a eleição nacional, o processo de contagem tem sido alvo de várias acusações de fraude, a maioria feita pela oposição. A comissão eleitoral tem sido criticada por seu trabalho caótico e pela demora na divulgação dos resultados.

O integrante da comissão eleitoral Saad al-Rawi confirmou que a comissão recebeu uma reclamação do bloco de al-Maliki, mas disse que foi uma das várias envidas sem evidências concretas. “As reclamações contra nós não terminam”, afirmou. “Eles precisam apresentar provas para que uma investigação seja aberta e o juiz possa decidir”.

Observadores iraquianos independentes e funcionários da ONU que aconselham a comissão disseram que não viram evidências de extensas fraudes que pudessem prejudicar o resultado final. Porém, alguns afirmam que a divulgação demorada e desorganizada dos resultados podem alimentar suspeitas de irregularidades no processo eleitoral.

Contagem

Segundo uma contagem parcial de todas as 18 províncias iraquianas, a coalizão Estado de Direito, de al-Maliki, lidera em sete. O bloco secular Iraqiya, do ex-primeiro-ministro Ayad Allawi, está em vantagem em cinco. Já a Aliança Nacional Xiita Iraquiana e a principal coalizão curda lideram, cada uma, em três províncias. Os resultados são baseados em contagens parciais divulgadas na noite de ontem, sendo que 66% dos votos foram contados.

Esse quadro fortalece as chances de al-Maliki de permanecer no posto de primeiro-ministro, embora seja pouco provável que ele conquiste a maioria necessária para governar sozinho. Em vez disso, os resultados devem levar a meses de discussões políticas enquanto os líderes tentam formar uma coalizão que vai governar o país quando as forças americanas deixarem o país em 2011.