Os principais sindicatos da França recomeçaram hoje greves e manifestações nas ruas do país contra a reforma previdenciária defendida pelo governo do presidente Nicolas Sarkozy. No total, estão programados mais de 200 protestos de rua na França, o que deve afetar principalmente os setores de energia e transportes. Este já é o sexto dia de protestos nacionais nos últimos dois meses.

Todas as 12 refinarias da França continuam em greve nesta terça-feira. Os produtos derivados de petróleo não estão saindo das fábricas, exceto aqueles enviados para suprir serviços de emergência, segundo informou a Confederação Geral do Trabalho (CGT), central sindical que representa os trabalhadores franceses. As greves levaram a indústria de refino de petróleo a parar na semana passada, como resultado da paralisação das 12 refinarias do país e de uma greve de três semanas porto de Fos-Lavera.

Ainda que o país tenha reservas de combustível para várias semanas, e os distribuidores possam importar combustível de países vizinhos, há o temor de que a falta do produto leve muitas pessoas a correr para fazer estoques, acabando com as reservas nos postos em algumas áreas, alertou ontem Jean-Louis Schilansky, presidente da União Francesa de Indústrias Petrolíferas.

Nesta terça-feira, os operadores estatais de trens e terminais de aeroportos, incluindo no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, bem como outros serviços públicos, alertaram os usuários para possíveis problemas. Os aeroportos devem ser afetados de novo amanhã, após a CGT convocar parte do pessoal da Air France-KLM para realizar protestos.

As greves no setor de energia reduziram nesta terça-feira em 3 mil megawatts a produção energética francesa, informou a CGT. Segundo a central trabalhista, o país está agora importando eletricidade de países vizinhos. Não há previsão de blecautes gerais, mas os trabalhadores estão planejando realizar cortes de energia em algumas companhias e prédios públicos, em coordenação com os sindicatos desses locais, informou a central.

Os protestos devem ser pacíficos, mas os confrontos entre estudantes de ensino médio e a polícia deixaram feridos e carros queimados nos últimos dias. Os jovens passaram a participar das manifestações apenas recentemente, mas o impacto dessa adesão foi significativo para o aumento do tom nos debates, enquanto o governo se preocupa com a possibilidade de haver confrontos mais radicais.

Reforma previdenciária

As principais centrais sindicais do país convocaram a greve contra a reforma previdenciária defendida pelo governo, que pretende aumentar a idade mínima para a aposentadoria de 60 para 62 anos. Para receber o salário integral, os trabalhadores precisarão se aposentar aos 67 anos, e não mais aos 65. A reforma já passou na Câmara dos Deputados e deve ser votada na quinta-feira pelo Senado.

A participação em massa dos jovens e a radicalização das manifestações contra a reforma trabalhista, em 2006, levaram o governo a recuar da reforma na época. Isso ocorreu após as notícias de distúrbios e de casos de carros queimados nos subúrbios da França correrem o mundo. A Confederation Etudiante pediu a mobilização dos estudantes nas universidades, em assembleias gerais e protestos. A confederação quer que a reforma leve mais em conta a duração da vida útil do trabalhador e também os períodos de estágio, antes de os jovens entrarem totalmente no mundo do trabalho formal.

Desde o início do processo de reforma, o governo afirma que a iniciativa é do interesse dos jovens e das próximas gerações, pois irá impedir que eles arquem com a dívida que está sendo criada atualmente. Apesar dos protestos nacionais, o governo se mantém firme. “Esta reforma é essencial. A França está comprometida com ela e a França vai implementá-la”, garantiu Sarkozy no fim da segunda-feira.

A mudança no sistema previdenciário é necessária, segundo o governo, para controlar o orçamento público a médio prazo. O ministro de Orçamento do país, François Baroin, disse ontem que o governo espera equilibrar suas contas até 2016, em comparação com uma previsão de déficit equivalente a 7,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. As informações são da Dow Jones.