Milhares de trabalhadores, estudantes e empresários marcharam pelas ruas da capital da Grécia nesta terça-feira em protesto contra as novas medidas de austeridade exigidas pelos credores internacionais do país em troca de mais ajuda. A passeata é parte de uma greve de 24 horas convocada pelas duas principais centrais sindicais do país, a ADEDY, que representa funcionários públicos, e a GSEE, do setor privado. Manifestantes queimaram uma bandeira da Alemanha na frente do Parlamento grego e gritaram “fora, nazistas”. A tropa de choque usou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Os credores também pedem cortes nos gastos da defesa, saúde e seguridade social. O governo já concordou em cortar o orçamento de 2012 em 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), algo em torno de ? 3,3 bilhões.

Nesta terça-feira, os sindicalistas gregos receberam apoio de seus colegas europeus. “Os trabalhadores e cidadãos gregos foram levados ao limite do que é aceitável em termos de restrições”, disse a secretária-geral da Confederação Europeia do Comércio, Bernadette Segol. “Os direitos e as leis trabalhistas foram desrespeitados. Homens e mulheres estão sendo esmagados nesse processo”.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro da Grécia, Lucas Papademos, terá uma reunião com seu gabinete de ministros para aprovar formalmente o recebimento do segundo pacote de resgate do Banco Central Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e União Europeia (UE), a chamada troica. A troica liberará ? 130 bilhões para o governo grego, mas em troca pede ainda mais medidas de austeridade. Além de convencer seus ministros, Papademos terá uma reunião com inspetores da troica e também com Charles Dallara, que comanda o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, an sigla em inglês), ou seja, os credores privados do governo grego.

Funcionários do governo grego estimam que os credores privados terão que aceitar uma perda de 70% do valor dos bônus. Credores gregos e fundos de pensão locais detém 34% da dívida do governo com credores privados. O pacote da troica prevê que dos ? 130 bilhões, ? 40 bilhões serão emprestados ao governo grego para que ele compre ações dos bancos privados da Grécia, protegendo assim o sistema bancário local de um colapso imediato. A estimativa é que os credores privados perdoem ? 100 bilhões (US$ 131 bilhões) em dívidas.

“Eles estão cometendo um crime contra o nosso país. Eles estão reduzindo assalariados à miséria e eliminando os aposentados e desempregados. Esse crime precisa parar, imediatamente”, disse o líder sindical Vangelis Moutafis, da maior central sindical grega, a GSEE.

A paralisação de hoje afetou escritórios do governo local e central, fechou bancos e escolas e deixou hospitais com poucos atendentes. A greve também provocou a suspensão parcial dos serviços de metrô, ônibus, trens urbanos e trólebus na capital. Sob forte chuva, os manifestantes marcharam pela praça central de Atenas segurando faixas nas quais se lia “não vamos pagar seus impostos, suas dívidas”. Grupos de esquerda chamavam as pessoas para uma revolução, sob forte presença policial.

Nas proximidades, a polícia antidistúrbio guardada o escritório onde o ministro de Finanças Evangelos Venizelos se encontrou nesta terça-feira com representantes da troica para discutir o segundo pacote de resgate para o país.

Os protestos desta terça-feira foram relativamente menores, tendo em vista as manifestações recentes. A polícia estima que entre 18 mil e 20 mil pessoas participaram da ação, mas testemunhas afirmam que o número foi menor.

“A maioria de nós enfrenta a possibilidade de perder para sempre tudo o que conquistou durante uma vida toda de trabalho e o que geralmente é a única fonte de renda de nossas famílias”, disse a associação de varejistas ESEE em comunicado.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.