O primeiro-ministro da Grécia, Lucas Papademos, e os líderes dos partidos políticos locais vão retomar amanhã as negociações sobre as medidas de austeridade exigidas pelos credores internacionais em troca de mais ajuda financeira para o país. Após mais de cinco horas reunidos neste domingo prosseguem as diferenças em várias questões chave para a reforma fiscal grega. Entre elas estão a redução dos salários no setor privado.

Em entrevista concedida após a reunião, Papademos e Antonis Samaras, líder da Nova Democracia, principal partido de oposição, disseram que os credores estão “pedindo mais recessão” à Grécia. “Estou lutando de todas as formas para evitar isso”, disse o premiê aos repórteres.

A Grécia está em duas frentes de negociação. Uma com seus parceiros europeus e o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre um novo pacote que ambos concordaram, em outubro passado, em conceder ao país, no valor de 130 bilhões de euros. Ao mesmo tempo, negocia um desconto de 100 bilhões de euros em sua dívida junta aos seus credores do setor privado.

Papademos busca suporte político junto aos Socialistas, aos conservadores do Nova Democracia e ao pequeno partido nacionalista Laos a fim de assegurar o segundo pacote de ajuda da UE/FMI. O chefe do Laos, Georgios Karatzaferis, disse que o partido não vai contribuir para uma “explosão revolucionária causada pelo empobrecimento.”

Logo depois da reunião, Papademos divulgou um comunicado em que diz que os líderes políticos concordaram em assuntos básicos, como um corte de gastos equivalente a 1,5% do PIB em 2012. Também concordaram em assegurar a viabilidade de pensões suplementares e medidas para elevar a competitividade em vários setores.

“O comunicado do premiê mostra a disposição de alcançar uma conclusão de sucesso. Mas a questão dos salários (cortes no setor privado) ainda não está resolvida e não se sabe como isso será levado a efeito. Os líderes políticos farão reuniões com suas bases para determinar o que é aceitável. A noite será longa”, disse um representante do governo.

Já as conversações com a troica parecem ter chegado a um impasse por causa da demanda de que o país reduza os salários do setor privado para aumentar a competitividade e para colocar a economia de volta na rota de crescimento. Representantes do governo grego dizem que isso vai aprofundar a recessão e elevar o déficit do orçamento ao reduzir o recolhimento de impostos.

As demandas por mais medidas de austeridade, que economizariam 2 bilhões de euros para compensar o não cumprimento da meta orçamentária de 2011, também estão sendo discutidas, junto com reduções na folha de pagamento do setor público.

Várias horas depois que a reunião entre Papademos e líderes partidários ter começado, Charles Dallara, diretor-gerente do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), chegou ao escritório do premiê junto com Jean Lemierre, conselheiro sênior do BNP Paribas SA. Ele voltou a Atenas para dar continuidade às negociações com o governo grego sobre a reestruturação da dívida do país. As informações são da Dow Jones.