Um número notável de economistas importantes espera que a abordagem de morteiro do Federal Reserve (Fed, banco central americano) para salvar os mercados financeiros será acrescida de mais uma medida na terça-feira (18), na reunião programada do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC): um corte de 1 ponto porcentual da taxa de juro básica dos EUA.

Vários nomes importantes entre os bancos de investimentos, entre eles, o Goldman Sachs e o Citigroup, acreditam que os banqueiros centrais vão reduzir a taxa de juro do nível atual de 3% para 2% ao ano. Se os economistas estiverem certos, o corte na taxa básica de juro representará mais uma ação radical do presidente do Fed, Ben Bernanke. Desde que o Fed tornou públicas as suas decisões sobre taxa de juros, o BC nunca adotou um passo como esse.

As previsões em torno de um afrouxo monetário grande no encontro do FOMC ocorrem em meio a uma profunda turbulência no mercado. Nos últimos dias, os banqueiros centrais responderam com uma série de ferramentas novas ou mais abrangentes para proverem liquidez de todas as maneiras para os participantes do mercado financeiro. Os banqueiros centrais também socorreram o Bear Stearns, um banco de investimento em processo de afundamento. E, em um sinal de quão ousado seus integrantes estão, o banco foi comprado pelo JPMorgan ontem por um valor inferior ao da sede do Bear em Nova York.

Para completar tudo isso, o Fed deu um passo extraordinário no domingo (16) à noite, ao acrescentar uma nova linha de liquidez para os primary dealers, bancos que operam diretamente com o BC dos EUA. O Fed também reduziu a taxa de juros de seu mecanismo emergencial de financiamento, a janela de redesconto, estreitando seu spread em 0,25 ponto porcentual acima da meta atual da taxa básica de juros.

A magnitude das grandes decisões do Fed tem como alvo os mercados financeiros, na medida em que as autoridades lutam para evitar que as condições desse setor danifiquem a economia americana, que, segundo a maioria dos especialistas, está em contração. Reduzir a taxa de juro novamente tem o objetivo, de ajudar a economia ampla, mas a magnitude do movimento tem mais relação com a questão da confiança e não com a economia.

Mesmo com os economistas defendendo cortes radicais pelo Fed, é difícil encontrar clareza sobre o impacto de longo prazo. Virtualmente, ninguém espera uma melhora imediata nas condições econômicas, e diante do estado perverso do sistema financeiro, está claro que será necessário algum tempo até os problemas sejam sanados. Se o Fed responder positivamente às demandas de corte de 1 ponto porcentual, outros problemas entrarão em cena. O Fed já agiu agressivamente desde o último outono e é uma possibilidade real que a taxa de juros se esgote antes de prover impulso adicional para a economia.

Ao mesmo tempo, o Fed já tem em suas mãos o problema da inflação e com a alta das commodities, várias medidas de expectativas de inflação vão se deteriorar. As informações são da Dow Jones.