O presidente cubano, Raúl Castro, eleito em fevereiro como sucessor de seu irmão Fidel Castro, realizou nesta terça-feira (22) sua primeira mudança no gabinete de ministros do país ao substituir o ministro da Educação, Luis Ignacio Gómez, que ocupou o cargo por quase 20 anos. O ministério da Educação será chefiado pela professora Ana Elsa Velázquez Cobiella.

Os motivos da substituição não foram especificados e também não se informou se Gómez assumirá outro cargo.

A educação e a saúde pública são consideradas os dois principais pilares da sociedade cubana e usados como modelo pelo governo da ilha para o desenvolvimento de programas de cooperação internacional nestas áreas.

Um dos mais importantes projetos internacionais de educação desenvolvidos pelo Ministério de Educação e de Ensino Superior cubano é um programa de alfabetização, aprovado e premiado em 2006 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), chamado "Sim, eu posso" que é aplicado em diversos lugares do mundo como América Latina (inclusive no Brasil), Austrália, África e comunidades indígenas no Canadá.

No entanto, a educação em Cuba, gratuita em todos os níveis e dependente de grandes recursos estatais, foi afetada pela profunda crise econômica sofrida pelo país na década de 1990. As dificuldades foram impulsionadas pela queda da União Soviética, que era o principal sócio comercial da ilha, e pelo bloqueio econômico aplicado pelos Estados Unidos desde 1962, quando o ex-presidente Fidel Castro assumiu o poder e instaurou o regime socialista.

Devido aos problemas econômicos, o governo desviou a atenção da educação e grande parte dos docentes migraram para outras áreas mais lucrativas, principalmente, o turismo. Escolas e centros de estudo foram deteriorados devido à falta de materiais de construção para sua manutenção.

Entre 2003 e 2004, o governo de Fidel Castro lançou um programa que atenuou a deterioração dos problemas educacionais e incentivou a formação de novos professores, principalmente de nível secundário.

Desde julho do ano passado, Raúl Castro incentivou um debate entre a população cubana a respeito da educação e a imprensa denunciou os "vazios" da educação "formal" de uma parte dos jovens e o papel que "devem ter" não só as escolas, mas também as famílias para solucionar o problema.

O resultado do debate não foi divulgado, mas informações dos meios de informação locais refletem críticas a professores com pouca experiência e à aplicação de "critérios" distantes dos princípios de formação educativa, psicológica e pedagógica buscados pelo país.

A Igreja Católica também critica a educação em Cuba, mas em reivindicando sua participação. Em uma entrevista publicada, o cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, disse que "há um aspecto que a Igreja não pode deixar de lado nunca: seu direito a educar, não só pela catequese, mas pela possibilidade de estar presente de alguma maneira, nos meios educativos do país".

O governo de Cuba afirma que a educação nacional é a base da "subsistência cultural e independente" da nação e baseia-se em "valores patrióticos e socialistas", que são irrenunciáveis para o Estado.