Analistas políticos argentinos concordam que a partir do dia 28 – dia seguinte às eleições parlamentares que definirão o mapa do poder dos próximos dois anos no país – começa a campanha para as eleições presidenciais de 2015. E nesta maratona, o principal presidenciável é o governador da maior província, a de Buenos Aires, o peronista Daniel Scioli, um kirchnerista “light” que conta com a simpatia dos mercados. Scioli, que fez da paciência seu principal insumo político, é um dos políticos argentinos que exercita a arte do consenso, algo raro no país marcado pela política do confronto.

A presidente Cristina Kirchner não aceita Scioli, em quem nunca confiou. No entanto, ela está cada vez mais frágil, já que seus aliados cancelaram os planos de reforma constitucional para permitir reeleições ilimitadas (o plano denominado “Cristina eterna”). Além disso, na segunda-feira foi internada para retirar um hematoma próximo ao cérebro (cirurgia realizada na terça). Ela estará de licença médica por um mês, fora da arena política.

Um dos históricos kirchneristas, Carlos Kunkel, admitiu na quinta-feira, 48 horas após a cirurgia: “Cristina não é imprescindível”. Jorge Landau, outro histórico peronista, articulador leal do kirchnerismo (que no passado também declarou fidelidade aos ex-presidentes peronistas Carlos Menem e Eduardo Duhalde), declarou, sem sutilezas, que após as eleições parlamentares começa a corrida eleitoral pela presidência. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.