O ex-presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, deixou a Costa do Marfim na manhã de hoje sem conseguir convencer Laurent Gbagbo a deixar o poder. Gbagbo continua a desafiar os pedidos da comunidade internacional e afirma que venceu a eleição de novembro. Outras três delegações de alto nível, dentre elas uma missão de chefes de Estado africanos que esteve no país na semana passada, não conseguiram fazer com que Gbagbo deixe a presidência.

Obasanjo, que chegou sem aviso no final de semana, movimentou-se várias vezes entre o palácio presidencial e o hotel, do outro lado da cidade, onde Alassane Ouattara, vencedor da eleição reconhecido internacionalmente, está abrigado.

Embaixadas estrangeiras ordenaram que a maioria de seus funcionários deixe o país na medida em que o sentimento na Costa do Marfim contrário ao ocidente aumenta. O regime de Gbagbo continua a usar as emissoras de comunicação estatais para denunciar a “conspiração franco-americana” por trás dos pedidos para que deixe o poder.

Hoje, a embaixada dos Estados Unidos reuniu-se com seus cidadãos e pediu a eles que deixem o país enquanto os voos comerciais ainda estão disponíveis, advertindo que a embaixada não será capaz de retirá-los de suas casas se a violência se espalhar. Gbagbo se recusa a deixar o poder embora os resultados divulgados pelo conselho eleitoral do país mostrem que ele perdeu por uma margem de nove pontos porcentuais para Ouattara.

Nos últimos dias, o presidente ordenou que o Exército sitiasse o Hotel Golf, onde Ouattara e seu grupo se refugiaram, impondo um bloqueio. A única forma de entrar e sair do local agora é de helicóptero.

O propósito da visita de Obasanjo foi entregar uma mensagem da comunidade internacional com o maior vigor possível e oferecer a Gbagbo um exílio fora do país, além de remuneração caso ele decida deixar o governo, informou um conselheiro de Ouattara que resumiu as discussões.

O conselheiro, que falou em condição da anonimato, também disse que Obasanjo repetiu a ameaça a Gbagbo de que ele pode ser retirado militarmente se não deixar o poder. O bloco de 15 países africanos, a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS) ameaçou realizar uma intervenção militar se as negociações fracassarem. As informações são da Associated Press.