O futuro premiê japonês, o conservador Shinzo Abe, afirmou hoje que a soberania japonesa sobre as ilhas “não é negociável”. O território, chamado no Japão de Senkaku, também é reivindicado pela China, que o chama de Diaoyu.

“As ilhas Senkaku integram o território japonês. O Japão possui e controla estas ilhas em virtude do direito internacional. Não é negociável”, disse Abe em entrevista, um dia após a vitória nas eleições legislativas do Partido Liberal Democrata (PLD).

Durante a campanha eleitoral, Abe defendeu uma linha inflexível na divergência territorial com a China. O PLD defende inclusive a ideia de construir um porto nas ilhas em disputa, atualmente desabitadas ou de destacar funcionários japoneses, para aumentar o controle sobre o arquipélago.

Depois da confirmação da vitória do PLD no Japão, Abe expressou a intenção de emendar a Constituição para aumentar o papel do Exército e garantir a integridade do território japonês, em uma declaração que não soou bem num momento de alta tensão entre Pequim e Tóquio.

Pequim se disse “preocupada com o rumo do Japão”. “Estas ilhas são parte integrante do território chinês”, afirmou Hua Chunying, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, antes de destacar que a China está “disposta a trabalhar com o Japão para estabelecer relações estáveis”.

Segundo Hua, o Japão “deve seguir seu caminho de desenvolvimento pacífico e estável”, enquanto o novo Executivo “deve entender profundamente e resolver adequadamente” as atuais dificuldades entre as nações. “O desenvolvimento pacífico das relações bilaterais não somente corresponde aos interesses de ambos os países, mas também é essencial para o desenvolvimento pacífico da região”, insistiu a porta-voz.

Tóquio e Pequim disputam há décadas a soberania das ilhas. O confronto se acirrou em setembro passado, por causa da nacionalização, pelo Japão, de parte do arquipélago. Navios governamentais chineses entraram nos últimos meses em águas territoriais do arquipélago. Na quinta passada, um avião chinês sobrevoou as ilhas, o que o Japão considerou a primeira violação de seu espaço aéreo desde o agravamento do conflito.