A cidade de Buenos Aires continua invadida pela fumaça de uma grande queimada que se produz nos arredores da capital argentina e que provoca polêmica no país. O governo admite que não consegue controlar o incêndio que atinge cerca 65 mil hectares desde a última segunda-feira (14). A fumaça produzida pelo fogo já provocou acidentes com vítimas fatais e o governo decretou estado de emergência nas estradas e várias rodovias, bloqueadas pela polícia para evitar mais tragédias, assim como os portos. Os aeroportos ontem estiveram fechados e hoje operam com atrasos.
Os hospitais e as salas de emergência duplicaram o atendimento de pessoas com asma e alergias que começaram a sofrer ataques com o excesso de fumaça. A quantidade de monóxido de carbono na cidade já está em níveis elevados de alerta por parte da Defesa Civil. Os canais de televisão mostram que a cidade inteira está afetada pela pouca visibilidade e há uma enorme campanha para que as pessoas evitem sair de casa em automóveis.
São cerca de 300 focos de incêndios intencionais, para renovar os pastos no norte da província de Buenos Aires, sul de Entre Ríos e uma parte de Santa Fe, segundo afirma o governo. A presidente Cristina Fernández de Kirchner acusou os produtores rurais pela "irresponsabilidade social e ambiental". O governo reconheceu que a queimada está fora de controle e somente uma chuva poderia apagá-lo. As estimativas são de que a fumaça persista por vários dias. O governo está investigando os responsáveis pelo incêndio, mas as acusações contra os produtores rurais continuam no âmbito oficial e chegaram a atrapalhar as negociações que o campo realiza com a Casa Rosada para evitar um novo locaute no país.
A queimada em pastos e áreas de plantação na Argentina é uma prática habitual entre os produtores agropecuários, mas o atual incêndio é o mais grave até o momento devido ao período de seca. O Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) questiona essa prática porque "libera carbono à atmosfera, produz baixa visibilidade e provoca mortes", como afirmou o engenheiro agrônomo Darío Ceballos, do organismo.