A decisão do presidente dos EUA, Barack Obama, de pedir aprovação do Congresso para um ataque militar contra a Síria gerou pedidos para que os parlamentares da frança tenham o mesmo privilégio. O Parlamento da França deverá discutir o assunto na quarta-feira, mas não está programada uma votação.

A Constituição francesa não exige uma votação para isso, a menos e até que a intervenção da França dure mais do que quatro meses, como aconteceu recentemente no Mali, onde a campanha francesa retirou rebeldes islamistas de cidades do norte do país.

O presidente da França, François Hollande, vem apoiando o chamado de Obama para uma ação militar contra o governo de Bashar Assad em retaliação ao suposto uso de armas químicas no subúrbio de Damasco no último dia 21.

François Fillon, ex-primeiro-ministro da França e importante figura do partido de oposição UMP, afirmou em entrevista ao Journal du Dimanche que o Parlamento deveria votar sobre o tema. “Nas atuais circunstâncias, a França não pode ir à guerra sem um claro suporte do Parlamento”, disse.

Outra figura importante da oposição na França, o político centrista François Bayrou, afirmou em uma carta aberta publicada no Journal du Dimanche que seria “impensável” para Hollande agir sem consultar o Parlamento.

Até mesmo dentro do Partido Socialista de Hollande há opiniões assim. A líder do comitê de defesa do Parlamento, Patricia Adam, declarou ao jornal que é pessoalmente a favor da ideia e que não vê “qualquer razão pela qual o Parlamento não deva ter voz quando os outros têm”.

Outros socialistas, porém, como o ministro do Interior, Manuel Valls, e a líder do comitê de relações externas do Parlamento, Elisabeth Guigou, participaram de programas dominicais na televisão e reiteraram a posição do governo, apoiada pela Constituição, de que é prerrogativa do presidente tomar decisões sobre uma ação militar.

A França tem ecoado os pedidos dos EUA para que uma forte coalizão internacional tome uma ação com relação à Síria. Valls afirmou neste domingo que não há possibilidade de a França agir sozinha caso o Congresso dos EUA rejeite os pedidos de Obama para uma intervenção. Fonte: Associated Press.