Caracas – A senadora colombiana Piedad Córdoba disse hoje que as provas de vida de oito reféns enviadas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ao presidente venezuelano Hugo Chávez "são uma mensagem clara de sua vontade de avançar em direção a uma troca humanitária" de reféns e guerrilheiros presos.

A rádio Caracol informou que as provas serão apresentadas nesta sexta-feira (11) em Caracas.

Segundo a emissora, Clara Rojas e Consuelo González, as duas reféns libertadas ontem, participarão hoje de uma coletiva. Serão apresentadas ali as cartas e fotografias disponíveis dos ex-congressistas Jorge Eduardo Grechem, Gloria Polanco e Orlando Beltrán, e o ex-governador do departamento (Estado) de Meta, Alan Jará, e membros do exército e da polícia.

Não está claro se será o próprio presidente venezuelano – que hoje apresenta o informe anual sobre o estado do país à Assembléia Nacional – quem presidirá a coletiva.

"As Farc entregaram provas de vida ao presidente Chávez, creio que é uma demonstração da vontade de libertação desde que, tenho clareza, seja nas mãos do presidente Chávez", disse aos jornalistas.

A senadora disse que não desanimará até obter a libertação de todos os reféns e se pronunciou favoravelmente à busca de uma troca em vez da libertação unilateral de reféns, devido aos riscos que os seqüestrados supostamente correriam ao ser liberados em meio ao conflito colombiano.

"Seria muito melhor que não fossem libertações unilaterais, hoje comprovei que o esforço é bastante delicado, complexo e é muito mais importante zelar pela vida das pessoas", concluiu.

As Farc mantêm em seu poder mais de 700 reféns, dos quais 43 são "destacados", e parte da proposta de acordo humanitário apresentada pelas Farc consiste em trocá-los por 500 guerrilheiros detidos nas prisões colombianas.

Carlos Eduardo Jaramillo, ex-conselheiro para a Segurança Nacional do governo colombiano, afirmou que o próximo refém que as Farc podem libertar é a franco-colombiana ex-candidata à presidência Ingrid Betancourt.

Em entrevista, Jaramillo disse que "após os problemas causados aos países facilitadores com a fracassada Operação Emmanuel no Ano Novo, as Farc devem multiplicar os gestos de boa vontade, como foi a libertação de Clara Rojas e Consuelo González".

Segundo ele, a França é um país muito comprometido e agora merece um gesto. "Por isso penso que a próxima libertada será Ingrid", disse.

Segundo ele, a libertação de Betancourt será "a última entrega sem negociação. Depois será a vez dos três reféns norte-americanos, e aí entrarão em jogo Sonia e Simon Trinidad, extraditados de Bogotá aos Estados Unidos".