Estamos no limiar de novo ano letivo. É fundamental iniciá-lo com o pé direito, dispostos a empreender esforços inteligentes. Face à nova cultura global, em constante mutação, mais importante do que encher cabeças é formar cabeças. Mais importante do que transmitir conteúdos, descobertas, teorias e experiências é insuflar no educando propostas e fórmulas criadoras, em vista de um mundo mais digno e próspero, mais justo e inclusivo. Os educadores possuem o dom de transformar as mentes e os corações. Exemplos, diálogo e testemunhos são as melhores formas de educar crianças e jovens.

Os verdadeiros mestres ensinam e aprendem, crescem e ajudam a crescer, oferecem e recebem. Não perdem a esperança no futuro melhor, persistem na caminhada, não desanimam de educar bem os estudantes. A educação é feita de sacrifício, idealismo e doação. O ritmo de desenvolvimento e a modernização do Brasil dependem basicamente de educação, trabalho e justiça social. Num País privilegiado como o nosso, é dever moral crescer com educação de excelência. A universidade e o educador estão no centro dos debates dessas questões e também da criação de novos conhecimentos.

Também é preciso entender que a universidade é muito mais do que uma reunião de mestres e discípulos irmanados na busca da verdade. É uma família constituída de pessoas felizes e integradas em metas, propósitos e ideais. Prosperidade, realização e valorização humana são propriedades tangíveis que valem bem mais do que simples aumento de índices estatísticos. Educadores realizados e felizes têm consciência de sua responsabilidade para fazer aliança entre formação profissional e ética, vida terrena e transcendência.

Como gestores e educadores, temos obrigação de evidenciar ao educando deveres da cidadania, oferecer bases sólidas de vida em família, motivar a participação no mundo transcultural. Quanto mais comunicativos e melhores forem os educadores, mais prósperas serão as escolas, a sociedade e a economia.

Então, podemos nos perguntar: Como nós educadores e administradores podemos ser luz para as indagações da juventude que nos procura, esta preciosa parcela da humanidade que construirá o amanhã? Encontramos a resposta em ícones bem conhecidos. Aristóteles nos ensina: professores e ciência devem se interessar tanto pelo necessário de hoje quanto pelo eterno de sempre. Descartes acrescenta: nada podemos fazer e saber com certeza se primeiro não tomamos consciência de que Deus existe. Pasteur arremata: pouca ciência afasta a pessoa de Deus; muita ciência dialogada, a Ele faz aproximar. Ser mestre é ensinar e viver a verdade, o bem, a justiça e a transcendência.

Caros educadores: mestre não é aquele que conhece tudo a respeito de sua especialidade, mas aquele que leva o discípulo a refletir, meditar e compreender o que é certo e o que é errado, o que é bom e o que é nefasto, o que é justo e o que é prejudicial aos outros. Ser mestre é ser aquele que aponta o caminho da felicidade, responsabilidade social e respeito pessoal e público. Não há educação verdadeira se faltar amor. Estas são minhas convicções e sentimentos que brotam do coração, da alma e da inteligência. Obrigado, mestres, pelas lições da ciência e exemplos de vida que oferecem aos educandos. É nossa gratidão antecipada neste novo ano escolar, que desejamos próspero e feliz a todos.

Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.