A Europa vai endurecer as sanções impostas à Síria na tentativa de elevar a pressão internacional sobre o regime depois que China e Rússia vetaram a resolução contra o país no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), ontem.

“A Europa vai, novamente, endurecer as sanções impostas ao regime sírio. Tentaremos aumentar a pressão internacional e chegará o tempo em que o regime perceberá que está completamente isolado e sem condições de prosseguir”, afirmou o ministro de Relações Exteriores da França, Alain Juppé, para o canal de televisão BFMTV.

Juppé também disse que a França ajudará a oposição síria a estruturar-se e a organizar-se e que trabalhará para criar um grupo internacional de ajuda ao país. O presidente francês Nicolas Sarkozy já tinha proposto a criação de um “grupo de amigos” do povo sírio.

O chanceler francês disse que Sarkozy tomará medidas nos próximos dias no sentido juntar todos aqueles que consideram intolerável a situação na Síria. Ele descreveu o veto da China e da Rússia como uma “mancha moral” e que a França levará em consideração um pedido da Tunísia para que todos os países expulsem os diplomatas sírios.

No sábado, Rússia e China bloquearam uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que condenava a Síria por sua repressão aos protestos contra o regime no país. Ambos foram criticados por todas as potências mundiais e pela oposição Síria.

A União Europeia realizou várias rodadas de sanções contra o regime do presidente Bashar al-Assad, como o congelamento de ativos de empresas sírias e proibições de viagens. Além disso, impôs um embargo de armas e proibiu as importações de petróleo sírio.

“Temos a obrigação, nós europeus, de mostrar que nunca aceitaremos esse regime, que pode resistir 15 dias, dois meses, mas não para sempre”, disse o ministro de defesa francês, Gerard Longuet, que criticou a Rússia pelo veto.

Na Síria, pelo menos 88 pessoas morreram neste fim de semana, um dos mais sangrentos desde o levante contra o governo, 11 meses atrás. Grupos de oposição afirmam que ao menos seis mil pessoas foram assassinadas na Síria desde então. As informações são da Dow Jones.