Os críticos à implantação da União Europeia, chamados de “eurocéticos”, reprovaram a concessão do Prêmio Nobel da Paz ao bloco de 27 países, anunciada hoje.

O tom das críticas foi especialmente em relação ao papel na solução dos problemas econômicos e na atuação dos emissários europeus em crises internacionais, como os conflitos internos na Líbia e na Síria e na guerra do Iraque.

Representante de um dos países da União Europeia, o presidente da República Tcheca, Vaclav Klaus, ironizou o prêmio, dizendo que era uma brincadeira de mau gosto.

“A atual União Europeia é uma comunidade quase ilegítima e onde a democracia e a liberdade se escondem em um canto”, disse, em comunicado.

O vice-presidente do Parlamento da Noruega, Akhtar Chaudhry, disse que o comitê do Nobel mostrou que está fora do controle dos noruegueses. O país concede o prêmio e recusou duas vezes a entrada no bloco europeu.

“O povo norueguês rejeitou a União Europeia como conceito, mas nós ainda os recompensamos com o Prêmio Nobel da Paz”.

Humor

O deputado holandês Geert Wilders, contrário à união, disse no Twitter que a decisão não foi feliz pelo momento financeiro pelo qual passa a Europa.

“Prêmio Nobel para a União Europeia. No momento em que Bruxelas e toda a Europa está em colapso e na miséria. O que vem depois? Um Oscar para Van Rompuy?”.

O líder do partido independente do Reino Unido, Nigel Farage, fez referência aos problemas ao criticar à escolha do comitê responsável pelo Nobel.

“Isso mostra como os noruegueses têm senso de humor. A União Europeia criou pobreza e desemprego para milhões e nos últimos dois anos causou animosidade entre os países do norte e do sul da Europa”.

Ele também fez referência ao presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, que, para Farage, incentivou a intervenção militar na Líbia, em 2011. “Depois disso, a ideia de a União Europeia conseguir um Prêmio Nobel é ridícula”.

Com tom bem humorado, o deputado eurocético finlandês Timo Soini disse que felizmente a União Europeia não recebeu o Nobel de Economia, em relação às soluções encontradas para a crise financeira.

Ele considerou justa a premiação, mas feita no tempo errado.”É muito interessante que a eleição aconteça em um momento em que a União Europeia tem dificuldades óbvias de aceitação e legitimidade”.

Apoio moral

O ex-presidente da Polônia e Prêmio Nobel da Paz de 1983, Lech Walesa, também criticou o prêmio, dizendo que o prêmio em dinheiro de US$ 1,2 milhão (R$ 2,5 milhões) poderia ser entregue a um ativista individual.

“Concordo que a UE tenta mudar a Europa e tornar o mundo mais pacífico, mas se paga por isso. Existem muitos casos de empenhos pessoais em todo o mundo”, acrescentou.

A ativista russa Ludmila Alexéyeva, que concorria ao prêmio Nobel da Paz de 2012, criticou o prêmio devido ao apoio de alguns países aos combates no Iraque e no Afeganistão.

“Não entendo como um prêmio de paz possa ser concedido à UE, cujos países participaram da Guerra do Iraque, da Guerra do Afeganistão e outros conflitos”, disse.

Favorita para receber o prêmio, ela acredita que a decisão foi tomada como “um apoio moral” aos 27 membros do “agrupamento”.

“Suponha que a ideia era apoiar a UE em um momento de dificuldade, já que se encontra em plena crise. O Comitê Nobel queria levantar o ânimo deles. Parece que a Angela Merkel ficou muito contente”, afirmou.