O ex-senador norte-americano George Mitchell, enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, regressará esta semana à região para mais uma tentativa de convencer Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP) a participarem de negociações diretas de paz.
O Departamento de Estado dos EUA anunciou hoje que Mitchell terá reuniões com o presidente da ANP, Mahmud Abbas, e com primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Os encontros estão marcados para amanhã. Mitchell também conversará com líderes de países árabes próximos antes de regressar aos EUA na próxima quarta-feira.
Segundo o porta-voz da chancelaria norte-americana, P. J. Crowley, o governo dos EUA acredita que Mitchell pode concluir o que precisa ser feito para o começo do diálogo direto. O governo dos Estados Unidos têm aumentado a pressão sobre as partes para o início de conversações diretas após meses de diálogo indireto mediado por Mitchell. Crowley, no entanto, se recusou a fazer uma previsão do resultado da nova viagem do enviado norte-americano.
No fim de julho, a Associated Press obteve acesso a um documento palestino indicando que Mitchell disse que o presidente Barack Obama não poderia ajudar a ANP a estabelecer um Estado palestino soberano e independente se não ocorressem negociações diretas.
O presidente da ANP, Mahmud Abbas, porém, disse que antes quer ver progressos nas negociações indiretas que ocorrem sob mediação norte-americana, especialmente no que diz respeito à paralisação, por Israel, de obras em assentamentos judaicos estabelecidos na Cisjordânia ocupada. O documento adverte ao líder palestino que não aceitar as condições propostas pelos EUA representaria “suicídio político”.
Netanyahu, por sua vez, diz recusar-se a atender a condições para ingressar no diálogo. Ele declara aceitar a criação de um Estado palestino, mas “sob algumas condições”, e assegura que não abrirá mão de Jerusalém Oriental, um dos principais entraves para um eventual acordo. Tanto israelenses quanto palestinos reivindicam Jerusalém como capital. A cidade – sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos – foi capturada por Israel em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias.
Anos mais tarde, o governo israelense anexou a cidade e a declarou sua capital “eterna e indivisível”. As iniciativas israelenses, no entanto, são rechaçadas pela comunidade internacional, que defende uma solução negociada. Os palestinos reivindicam o setor árabe da cidade, conhecido como Jerusalém Oriental, como capital de seu futuro Estado independente e soberano.


