Democratas da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos acusaram as cinco companhias petrolíferas que participaram de uma audiência no Congresso de se apoiarem em planos com “fórmulas prontas” e ineficazes para a contenção de vazamentos de petróleo. Segundo o deputado democrata Edward Markey, a análise dos planos de resposta a derramamentos de óleo descobriu que, assim como a British Petroleum (BP), outras três petroleiras chegaram a fazer referências em seus documentos à proteção de morsas, “animais que não vivem no Golfo do México há três milhões de anos”.

Markey acrescentou que dois outros planos “são tão parecidos com o texto da BP que listam o mesmo número de telefone de um especialista falecido há anos”. Ele não atribuiu os planos às respectivas companhias e não identificou quem era o especialista citado. O deputado destacou ainda que as petroleiras gastaram em média US$ 20 milhões por ano em pesquisa para segurança, prevenção de acidentes e resposta a vazamento de petróleo – uma quantia que ele considerou baixa, em comparação aos US$ 39 bilhões que as companhias investiram durante os últimos três anos em exploração de petróleo e gás.

“As petroleiras podem pensar que é bom produzir cópias de seus planos de segurança, mas os americanos esperam e merecem mais”, afirmou Markey. Ele clamou por um aumento significativo da abrangência da responsabilidade legal das petroleiras em vazamentos e por uma legislação que estabelecesse requerimentos de segurança a companhias que exploram petróleo em águas profundas.

O deputado democrata Henry Waxman apresentou um excerto do plano de resposta a vazamentos da BP que é virtualmente idêntico ao plano da ExxonMobil. Ele afirmou que ExxonMobil, Chevron, ConocoPhillips e Royal Dutch Shell não estão “melhor preparadas que a BP para lidar com um grande vazamento de petróleo” e apontou que as petroleiras se apoiaram na mesma companhia – a Response Group – para escrever seus planos.

Segundo Waxman, a Response Group afirmou a investigadores do Congresso que esses planos eram fórmulas prontas. “Ao observar os detalhes, tornou-se evidente que estes planos são apenas exercícios no papel”, afirma Waxman. “A BP falhou miseravelmente quando confrontada com o vazamento real e a ExxonMobil e outras petroleiras não fariam melhor”.

Corporativismo

Os principais executivos das petroleiras Exxon Mobil, Chevron e Royal Dutch Shell se movimentaram para distanciar suas companhias da British Petroleum, uma vez que os membros do Congresso dos Estados Unidos pediram por uma forte regulação para resolver os problemas de segurança mais amplos na indústria petrolífera offshore.

 

O executivo-chefe da Exxon, Rex Tillerson, classificou a explosão e o subsequente colapso da plataforma Deepwater Horizon de “um abandono dramático da norma da indústria da perfuração em águas profundas”, de acordo com o depoimento preparado para uma audiência no subcomitê da Câmara dos Representantes. A Exxon está ansiosa para saber “o que deu errado nesse poço e que não ocorreu nos outros 14 mil poços que foram perfurados com sucesso em águas profundas ao redor do mundo”, disse Tillerson, segundo reportagem publicada pelo Wall Street Journal.

O presidente e o executivo-chefe da Chevron, John S. Watson, afirmou, em comentários preparados para a audiência, que acredita que uma investigação independente do acidente “mostrará o que essa tragédia poderia ter sido evitada”.

As práticas da Chevron de controle e perfuração de poços em águas profundas “são seguras e não prejudicam o meio ambiente”, destacou o executivo. Ele pediu que os responsáveis pelas políticas públicas nos EUA não usem “um único acidente” como base para reduzir ou acabar com “os muitos benefícios positivos do desenvolvimento em águas profundas no Golfo do México e em outras regiões”.

O governo do presidente americano, Barack Obama, ordenou uma suspensão de seis meses da perfuração em águas profundas e paralisou a perfuração em águas rasas de até 500 pés até que as novas regras ambientais e de segurança entrem em vigor. Os executivos da indústria do petróleo disseram que o atraso na publicação final das regras para a perfuração em águas rasas está colocando milhares de empregos em risco.

Marvin Odum, um representante da Shell, disse, nos comentários preparados para a audiência, que a companhia está confiante na sua expertise de perfuração e procedimentos. O executivo previu também que a decisão da administração Obama de suspender os novos projetos em águas profundas por seis meses custará “milhares de empregos e bilhões em perdas de salários e investimentos”.

Os executivos devem se apresentar nesta terça-feira à Subcomitê de Energia e Meio Ambiente da Câmara dos Representantes, juntamente com representantes da BP e da ConocoPhillips. O presidente do painel, o deputado Edward Markey, foi um crítico feroz da resposta da BP ao vazamento no Golfo, e um cético em relação às propostas para expandir a perfuração em águas profundas. As declarações dos executivos aumentam a pressão sobre a BP, que já enfrenta críticas de membros do Congresso dos EUA sobre seus planos para pagar dividendos aos acionistas. As informações são da Dow Jones.