O nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, de 23 anos, que na véspera de Natal tentou sem sucesso explodir uma bomba num avião que saiu da Holanda com destino aos Estados Unidos, estava listado em um banco de dados norte-americano de pessoas ligadas ao terrorismo desde novembro e já havia chamado a atenção de investigadores federais anteriormente, segundo uma autoridade do governo do país, que não quis ser identificada.
Quatro semanas atrás, o pai de Abdulmutallab disse à embaixada dos EUA em Abuja, na Nigéria, que estava preocupado com as crenças religiosas de seu filho. A informação foi repassada para as autoridades norte-americanas, que incluíram Abdulmutallab em um banco de dados com aproximadamente 550 mil nomes de pessoas monitoradas por conta de possíveis relações com o terrorismo.
O nigeriano, no entanto, não foi colocado em uma lista que o impediria de viajar de avião para os EUA por falta de evidências mais sólidas que o ligassem a grupos terroristas. Abdulmutallab possui visto de entrada no país desde junho de 2008, com validade até junho de 2010.
Segundo testemunhas e informações da polícia, em 24 de dezembro Abdulmutallab viajou de avião da Nigéria para Amsterdã e de lá para Detroit com o explosivo tetranitrato de pentaeritritol (PETN, em inglês) preso ao corpo em uma sacola.
Quando o avião se aproximava de Detroit, Abdulmutallab foi ao banheiro, onde ficou por 20 minutos, e retornou ao seu assento em seguida, reclamando de dores de estômago. Ele se cobriu com um lençol e, depois disso, os passageiros ouviram um barulho semelhante à explosão de fogos de artifício.
Alguns passageiros e tripulantes notaram que a calça de Abdulmutallab e a parede do avião estavam pegando fogo e utilizaram cobertores e extintores para apagar as chamas. Eles contiveram o nigeriano, que posteriormente afirmou ter um dispositivo explosivo atrelado ao corpo. A aeronave pousou em Detroit pouco depois do incidente.
Ontem, autoridades federais acusaram Abdulmutallab de tentativa de destruição do avião. A pena para o crime é de até 20 anos de prisão, com multa de US$ 250 mil. Ele afirmou ter recebido treinamento e instruções de integrantes da Al-Qaeda no Iêmen, mas ainda não há uma confirmação independente a respeito dessa afirmação, segundo autoridades das agências federais de segurança dos EUA.